20 de Fevereiro, 2018


A Exposição “Memórias do Holocausto” em São Paulo
Fotografia: Ana Carolina

A Exposição “Memórias do Holocausto” em São Paulo

Uma viagem aos tempos sombrios de atrocidades cometidas pelo homem, contra o próprio homem

“A palavra holocausto tem como significado original imolação, sacrifício em uma situação não necessariamente de guerra, mas de perigo ou falta de alternativas (originário do grego hólos = tudo e kaustós = queimado). Desde a segunda guerra mundial, porém, a palavra assumiu significado referente a um acontecimento específico, o de perseguição e extermínio sistemático de judeus,além de outras minorias como ciganos, testemunhas de Jeová, homossexuais, deficientes físicos e mentais, opositores políticos e religiosos do regime nazista alemão, prisioneiros soviéticos de guerra, civis soviéticos e poloneses, além de outros grupos marginalizados pela Alemanha Nazista durante o conflito”.

Um clima fúnebre e real, esta é a atmosfera da exposição ‘Memórias Do Holocausto’. Que esta em apresentação na estação de trem Barra Funda na zona oeste de São Paulo, a triste musica, as fotos, os objetos, tudo nos remete a um tempo de dor e extremo sofrimento.

Rica em detalhes as obras expostas, nos colocam no lugar dos prisioneiros de campos de concentração, é possível sentir o vento gelado e o clamor dos prisioneiros por socorro, retratos de crianças e objetos de diversos tipos colocam a realidade triste e sofrida em nossa frente e nos fazem ter uma terrível viagem no tempo.

A perseguição e extermínio sistemáticos eram parte de um programa megalomaníaco dos dirigentes nazistas, que pretendiam com os assassinatos em massa criar espaços disponíveis para a população considerada “puramente alemã”, ou seja, de origem ariana, sem qualquer miscigenação com outro grupo diferente.

Assim, foram estabelecidos os campos de concentração onde todos os perseguidos pelos nazistas eram reunidos, forçados a trabalhos escravos, e em determinado momento executados. Famílias, comunidades, cidades inteiras foram dizimadas nestes campos por meio de câmaras de gás.

Em muitos casos, antes de serem levados para as câmaras de gás, os prisioneiros eram submetidos a todo tipo de trabalhos forçados, sendo que muitos eram submetidos a experiências nas mãos de cientistas crentes do ideal nazista, que realizavam sem pudor todo tipo de experiência com seres humanos, muitas até mesmo na época condenáveis dos pontos de vista ético e científico.

É inevitável não se recordar de Anne Frank e seu diário, impossível não ligar as imagens ao mostro nazista Adolf Hitler. Também é totalmente compreensível quando lágrimas escorrem da face dos visitantes ao sentirem de perto as agruras destes tempos negros e sombrios.

Durante toda a guerra, os campos foram um “segredo” das autoridades alemãs, que não aceitavam as alegações da existência de tais complexos. Durante o conflito, decidiu-se pela eliminação completa dessas minorias do continente europeu, tarefa dada ao dirigente nazista HeinrichHimmler.

Esta política de completa aniquilação recebeu o nome de Solução Final, que chegou a ser posta em prática, acelerando os níveis de execução nos campos de concentração. Com a derrota dos nazistas, os campos foram abandonados, em muitos casos com muito de seus cativos ainda concentrados, em condições de saúde precárias. Cerca de 10 milhões de pessoas, estimadamente, foram vítimas do que popularmente se passou a denominar Holocausto.

Após o Holocausto muitos sobreviventes encontraram abrigo nos campos para deslocados de guerra administrados pelos Aliados. Entre 1948 e 1951, cerca de 700.000 sobreviventes emigraram da Europa para Israel. Muitos outros judeus deslocados de guerra emigraram para os Estados Unidos e para outras nações, inclusive o Brasil. O último campo para deslocados de guerra seria fechado em 1957.

Fotos: Ana Carolina

CC BY 4.0 A Exposição “Memórias do Holocausto” em São Paulo by Edmundo Paschoal Paschoal is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Sobre o Autor

Edmundo Paschoal Paschoal

Jornalista & Cronista. Apaixonado pela arte da comunicação, crítico e analítico por natureza.

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