22 de abril, 2019

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Amortecimento das esferas políticas e não políticas da sociedade brasileira

Não se pode negar que estas esferas estejam amortecidas, diminuídas, abatidas. Neste cenário as abordagens comunitárias e as diversas formas de voluntariado favoreceram o surgimento e a expansão das participações políticas formais, não formais e sociais. Algumas violentas e outras não.
Os cidadãos jovens de maneira particular se afastaram, aos poucos, da política partidária, perderam o encantamento pelos partidos políticos e pela política em geral. Aos poucos foram se retirando dos espaços políticos, mas continuaram participando seja pela omissão seja pelo engajamento em outros espaços, desenvolvendo aí compromissos sociais e civis.
Nestes outros espaços, a participação social e voluntária expandiu. O estudo da ABONG realizado em 2010 aponta que:
1.    “havia 290,7 mil Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil) voltadas à religião (28,5%); associações patronais e profissionais (15,5%) e ao desenvolvimento e defesa de direitos (14,6%). (…). As Fasfil concentravam-se na região Sudeste (44,2%), Nordeste (22,9%) e Sul (21,5%), estando menos presentes no Norte (4,9%) e Centro-Oeste (6,5%). Dessas instituições, 72,2% (210,0 mil) não possuíam sequer um empregado formalizado, apoiando-se em trabalho voluntário e prestação de serviços autônomos. (…)”.
2.   O ritmo de crescimento do número de associações sem fins lucrativos decresce. (…). “Essas instituições representavam 5,2% do total de 5,6 milhões de entidades públicas e privadas, lucrativas e não-lucrativas, do Cadastro Central de Empresas – CEMPRE do IBGE, naquele ano”.
3.   Entre 2006 e 2010, observou-se um crescimento da ordem de 8,8% dessas instituições, passando de 267,3 mil para 290,7 mil, menor do que o observado no período de 2002 a 2005.
4.   Entre as instituições, 18,6% delas atuavam em áreas de políticas públicas.
5.   Entre o total dessas instituições, “82,9 mil entidades administravam diretamente serviços ou rituais religiosos (28,5%), 44,9 mil atuavam na área de associações patronais e profissionais (15,5%), e 42,5 mil no desenvolvimento e defesa de direitos (14,6%)”. “Havia, ainda, 54,1 mil entidades (18,6%) dedicadas a implementarem políticas governamentais (saúde, educação, pesquisa e assistência social).Nesse segmento, os grupos mais vulneráveis da população – crianças e idosos pobres, adolescentes em conflito com a lei e portadores de necessidades especiais – eram assistidos por 30,4 mil entidades de assistência social(10,5%).
6.   Nas áreas de educação e pesquisa (6,1%) e saúde (2,1%), eram 23,7 mil entidades, destacando-se as entidades de ensino fundamental (4,5 mil) e outros serviços de saúde (3,9 mil). Já entidades voltadas à preservação do meio ambiente e proteção animal representavam 0,8% do total das Fasfil.
Embora se encontre em muitas destas instituições trabalhadores assalariados, em 72,2% delas não possuem sequer um empregado formalizado. Apóiam-se, portanto em trabalho voluntário e prestação de serviços autônomos.
As instituições sem empregados eram mais comuns no segmento dereligião (29,1%), desenvolvimento e defesa de direitos (17,4%) e associações patronais e profissionais (16,2%).
O trabalho em comunidade exige, do voluntário e/ou autônomo tempo, dedicação e habilidades, elevada capacidade de transmissão das informações e o volume das atividades é elevado, contatos variados e criatividade para dar conta das necessidades e demandas.
Com os dados acima não é possível afirmar que muitos cidadãos deixam de lado o destino da sociedade brasileira, pois descontentes com a política e a política partidária, se voltam para outras formas de participação. Querem, sim, um Brasil melhor, uma nova forma de fazer política e de gestão ética e transparente dos recursos públicos Se não é possível lutar por ideais na esfera formal, a participação social não convencional de se fazer política, se torna o único caminho.
É de se esperar que a situação de desencantamento com os partidos, com os sindicatos, com o poder local e nacional – se encontram em franco declínio – os cidadãos passam a utilizar maneiras não institucionalizadas como protestos ou boicotes.
As organizações da sociedade civil assumem para si a responsabilidade de mobilizar a participação associativa. As Igrejas das diferentes denominações e as escolas públicas e particulares vêem assumindo o compromisso de levar o jovem a se associar às causas sociais de diferentes matizes, mas priorizando os vulneráveis. E os jovens estão dando conta do recado.
Estas organizações colocam seus líderes a mobilizarem os jovens para atividades de envolvimento político, levando-os a serem protagonistas, criando projetos, votando e comunicando-os, implementando e avaliando-os.
Não se pode negar a omissão, como forma de participação, e os protestos e boicotes como participação não convencional. Estão aí, narrados pelas mídias, a ocupação de prédios, queima de ônibus, interrupção do tráfego de veículos. São, também, formas de participação, embora ilegais. São participações uma vez que há:
1.    Atividade Política: comunicam usando as redes sociais; definem as ações diretas como boicotes, participação em demonstrações, e em comícios; e conquistam suporte a seus projetos, abaixo-assinado, doações de dinheiro.
2.    Percebem-se como pertencentes a uma organização partidária, sindicatos, organizações profissionais, religiosas e voluntárias,e assim,
3.    Manifestam interesse em Política.
Estas formas de participação violenta indicam que os descontentamentos e os desencantamentos mobilizam os jovens para finalidades nas quais acreditam. À sociedade civil resta identificar o comportamento, a motivação, a frequência, os hábitos e estilos de vida desses jovens que optam pela participação violenta, para levá-los a se verem como protagonistas capazes de alterar a sociedade brasileira pela negociação: reacender e intensificar as relações entre a política e os partidos.
Nós, cidadãos, merecemos uma sociedade melhor. Com gestão moderna, ética e transparência em todos os níveis.

por Veriana Mosil

Somos mulheres que tratam da vida, do gostar e do acreditar que a vida é tecida ponto a ponto todos os dias. Na tessitura os fios são admirados e dão sentido para a existência humana. É tecida pelos fios do amor, solidariedade, aceitação, e pelos fios da tragédia composta por sucessões, alternâncias e alteridades. É preciso paciência, entregas e renúncias, partidas e recomeços, altos e baixos. Dialogue conosco e se comprometa a tecer uma vida com sentido. Teçam VITAM conosco!

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