18 de abril, 2019

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Émile Durkheim e a Produção do Conhecimento Humano

Émile Durkheim é um sociólogo, nasceu em Épinal, Vosges, em 15 de Abril de 1858. Frequentou a École Normale Supérieure em Bordéus a primeira cadeira de sociologia instituída na França. Em 1896, fundou o periódico L ’Année Sociologique e, em 1902, passou a lecionar sociologia da educação na Sorbonne. (DURKHEIM, 2007, p.153).

No entanto, na virada para o século XX, Durkheim se voltou para um fator muito importante do seu trabalho, ou seja, a compreensão da construção do conhecimento social, desenvolvendo análises abordando a respeito de temas como: algumas das formas de classificação; representações individuais e representações coletivas.

O trabalho buscará analisar de que modo às crenças elementares podem está ligado na construção do conhecimento humano e as formas de organizações realizadas de acordo com os modelos de classificação primitiva.

 

2. As Formas Elementares da Vida Religiosa

 

Na obra de Émile Durkheim As Formas Elementares da Vida Religiosa datado de 1912, em se tratando de um estudo sobre a religião primitiva e o sistema totêmico na Austrália, o autor tem por objetivo central elaborar uma teoria geral da religião, com base nas análises das instituições religiosas de caráter simples e mais primitivo.

O primeiro eixo de análise de Durkheim é contemplar e descrever minuciosamente o sistema de clãs e o totemismo das tribos Australianas. Contudo um sistema de classificação destes povos, que se denomina exogâmico, ou seja, casamento fora do grupo de origem.

Neste sentido, o segundo momento, está ligado diretamente na tentativa de compreender a natureza da religião e sua importância para a vida social. Portanto, Durkheim apresenta formas iniciais da construção de uma teoria do conhecimento, uma interpretação sociológica das formas do pensamento humano.

Émile Durkheim ao contrário dos evolucionistas, que acreditam ser possível encontra entre os primitivos, que estariam num estágio inferior ao da civilização, a origem do fenômeno religioso, ele busca o que é fundamental, básico e permanente no conjunto das religiões.

Em suma,a importância de se analisar as religiões ditas “mais simples e primitivas” de acordo Durkheim vai além de simples evolucionismo, trata-se simplesmente do fato de que, partindo do estudo de religiões mais simples do ponto de vista da sua organização é possível entender as necessidades básicas e gerais da humanidade que aparecem confusas nas religiões mais atuais.

 

3. Representação Coletiva e Representação Individual

De acordo com Durkheim, as representações consistem em imagens simbólicas ou modelos de vida social que é compartilhado por um determinado grupo.

Na representação coletiva e individual, Durkheim, tenta diferenciar os dois fenômenos. De acordo com o autor, a representação individual é realizada pelas ações e reações entre os elementos nervosos do indivíduo, ou seja, tem como fator de origem nas sensações.

Já na representação coletiva é produzida pelas ações e reações trocadas entre a consciência que compõem a sociedade. Entretanto, sua obra concentra com ênfase na questão do processo de entendimento da realidade dos indivíduos particular e dos grupos coletivos.

 

4. As Formas Primitivas de Classificação

 

Durkheim juntamente com o seu sobrinho Marcel Mauss, se propõe analisar as tribos australianas, para determinar algumas formas de classificação, pelo fato de serem grupos mais primitivos que eles conheciam.

Conforme os autores, os clãs são grupos de pessoas que vivem juntos e que possuem o mesmo totem, ou seja, as classes matrimoniais são os que regulam os casamentos que são realizados nos clãs.

Em princípio dos totens de uma fátria não são encontrados na outra fátria. Portanto, além desta divisão de clãs, cada fátria está dividida em duas classes que se denominam matrimoniais. (DURKHEIM; MAUSS, 1995, p.182). Como podemos analisar no esquema abaixo:

Fátria I Classe Matrimonial AClasse Matrimonial B Clã da emaClã da serpenteClã da lagarta etc.
Fátria II Classe Matrimonial A’Classe Matrimonial B’ Clã do canguruClã do gambáClã do corvo etc.

Representação original de Émile Durkheim e Marcell Mauss. Quadro alterado pelo autor somente a estética.

As classes destinadas pelas mesmas letras (A, A’ etc. d B, B’ etc.), são aquelas entre as quais é permitido o conúbio. Por fim, todos os membros da tribo se encontram classificados em quadros definidos e que se encaixam uns nos outros. (DURKHEIM; MAUSS, 1995, p. 184).

 

5. Considerações Finais

O presente trabalho buscou analisar as obras de Émile Durkheim, conforme suas produções acerca do conhecimento humano. O foco do autor não era a religião como o principal objeto de análise e sim como a sociedade se organiza a partir dela.

O autor buscou mostrar as origens sociais e cerimoniais, bem como as bases da religião, sobretudo do totemismo na Austrália. Ressaltou que não existem religiões falsas, e que todas são essencialmente sociais. No entanto Durkheim elenca que a religião pode ser considerada uma ferramenta norteadora para a formação do espirito humano.

 

Referências Bibliográficas

DURKHEIM, Émile. As Formas Elementares da Vida Religiosa. O sistema totêmico na Austrália. São Paulo: Martins Fontes. [1912] 2009.

__________Representações Individuais e Representações Coletivas. In­­­­­­: DURKHEIM, Émile. Sociologia e Filosofia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, [1889] 1970, p. 15-49.

__________MAUSS, Marcel. Algumas Formas de Classificação Primitiva. In:  RODRIGUES, José, Albertino. Durkheim. São Paulo: Ática, [1903] 1995, p.183-203.

__________As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martin Claret. [1895] 2007. (Coleção Obra-Prima de Cada Autor).

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Sobre o Autor

Douglas Menezes de Oliveira Menezes de Oliveira

Graduando do curso de licenciatura pela em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul-UEMS. (Unidade de Amambai-MS).

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