18 de outubro, 2017


Isabel Clark

No último dia 14 deste mês, Isabel Clark conquistou a sua terceira medalha de ouro no XIX Campeonato Brasileiro Oppa de Snowboard e a segunda na Copa Sul-americana.  O Temporada de Inverno entrevistou com exclusividade a principal representante do Brasil nas competições de inverno realizadas no mundo todo. Considerada pela Confederação Brasileira de Desportos da Neve, como a melhor atleta de snowboard do Brasil, Isabel Clark Heliski Andes, começou a praticar o esporte profissionalmente em 1995, quando já conquistou o primeiro de seus 17 títulos nacionais do esporte.

1186891_559123214124748_652293045_nPara Stefano Arnhold, presidente da CBDN, a carioca também bateu o recorde de participação em finais da Copa do Mundo e obteve o maior número de pontos acumulados. Feitos jamais obtidos por outra atleta sul-americana no Snowboard.

Experiente e com diversos títulos, especialmente nas modalidades de Snowboardcross, Isabel Clark está cada vez mais preparada para os Jogos Olímpicos de Inverno. Conheça um pouco mais da nossa atleta recordista, porta-bandeira da comitiva brasileira e campeã de snowboard.

ic-brazil-isabelclarkTI – Recentemente você superou a norte-americana Karen Kobayashi e a canadense Tayler Wilton, ao vencer a Copa Continental de snowboard. Como foi essa a disputa? Também em Valle Nevado, você conquistou o Brasileiro de snowboard cross. A que você atribui mais esta vitória?
IC – Elas surpreenderam, pois são super novas e tiveram ótimas performances. Na primeira competição, tive o melhor tempo da qualificação, mas bem perto da americana. E na segunda competição, a americana fez o melhor tempo e eu o segundo tempo. Sabia que não ia ser fácil nos hits, mas tive uma boa largada, o que me facilitou a vida para o resto da pista.

TI – A confirmação do seu favoritismo sinaliza que tem se dedicado seriamente na preparação para as próximas competições. Como tem sido o seu treinamento?
IC – Estou mais focada do que nunca. O treino tem sido bem intenso nos últimos anos, basicamente são 11 meses por ano que intercalamos treino físico com treino técnico.

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TI – Iván Fuenzalida Sáez é treinador da maior equipe brasileira de snowboard e também seu técnico. Qual a recomendação mais importante que você já recebeu dele?
IC – Muitas coisas, mas uma de suas recomendações mais importantes foi aprender a praticar a técnica progressivamente. Com tempo pude ter uma evolução continua e sólida.

TI – Pratica algum outro esporte ou atividade que ajuda no seu desenvolvimento?
IC – Ultimamente tenho praticado bastante mountain bike, que ajuda muito, pois treino aeróbico nas subidas e as descidas se assemelham um pouco ao boardercross.
TI – Você já considerou exercícios de Tai-chi ou Yoga para melhorar o condicionamento e equilíbrio?
IC – Gosto muito de praticar Yoga, do Metodo De Rose, ajuda muito na flexibilidade, equilíbrio, força e concentração.
TI – Existe um lugar preferido para concentração e relaxamento? Onde seria e por que?
IC – Não tenho um lugar assim especial, mas gosto muito de estar em contato com a natureza. Dá uma tranquilidade, ver a grandeza da natureza, seja do mar, da floresta, das montanhas. Tudo mais parece insignificante.
ic-clarkTI – Você segue as recomendações do seu nutrólogo Dr. João Olyntho? Gosta de preparar o seu próprio alimento? O que gosta de comer?
IC – Sempre sigo as recomendações do meu nutrologo, mas às vezes fica difícil de seguir ao pé da letra, pois viajo muito, e ficamos muito tempo em hotéis. Quando temos acesso a uma cozinha gosto sim de cozinhar, mas ao mesmo tempo é preciso de ter tempo, então no final das contas é melhor estar em um hotel, onde posso usar o meu tempo na preparação física, e não cozinhando.

TI – Atletas que vencem campeonato e se destacam nas competições, recebem Bolsa Atleta ou Bolsa Olímpica? O que você acha que pode melhorar nesses programas?
IC – É uma bom programa, pois ajuda e motiva muito o atleta, e em conseqüência, o esporte. Poderia melhorar algumas regras que não tem ajudado alguns dos melhores atletas que temos na Confederação. Na categoria internacional, é preciso ter mais de 5 países sul americanos competindo, mas é quase impossível ter 5 países sulamericanos competindo, geralmente são só 3: Brasil, Chile e argentina. Às vezes aparece um peruano… Então acho que poderia ser pelo numero de participantes independente da nacionalidade.


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TI – Tem algum patrocinador? Quem mais apóia e contribui para você ter o suporte e infra-estrutura necessários e continuar colecionando medalhas?
IC –Estou com um patrocínio bem legal, a SnowOnline, que tem tudo a ver, pois ajudo a promover viagens de brasileiros para a neve. Eles estão me dando um suporte financeiro e também me ajudaram a montar meu novo site, assim com a fanpage. Também tenho patrocínio da Rossignol Sbowboards, apoio de Valle Nevado, da Clinica Metsavaht, e do restaurante Clodet. O maior suporte que tenho e que mais contribuiu para a infraestrutura, é a CBDN.


ic-snowboardTI – Você já participou de competições no Chile, Estados Unidos, Canadá, França e Itália. Na sua opinião, onde foi a mais importante e por quê?
IC –Todas as Copas do Mundo e campeonatos Mundiais são muito importantes independente do país. São as competições com as pistas mais bem feitas e maiores, onde se assemelha mais a uma pista de Jogos Olímpicos.

TI – Qual a diferença entre as provas das temporadas de inverno do Hemisfério Sul e Norte?
IC – Nos últimos anos não tivemos etapas da Copa do Mundo no hemisfério sul, mas durante vários anos tinha pelo menos 1 etapa. Em geral, no hemisfério Sul, temos mais tempo para treinos técnicos na neve, o que é muito bom, pois no hemisfério norte tem muitas etapas das copa do mundo e o treino fica bem reduzido, a aproximadamente 3 a 4 semanas.

TI – Qual manobra você considera mais importante?  Costuma inovar e arriscar nos movimentos mais radicais?
IC –Na minha disciplina (Snowboardcross), não fazemos manobras nem acrobacias, é uma modalidade de velocidade com saltos e obstáculos, tipo bicicross. É por tempo e não tem juiz que dá nota. Somente nas modalidades de Freestyle, como o Slopestyle e o HalfPipe.

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TI – Quando você está em alta velocidade, à frente das competidoras e percebe que irá vencer, o que vem em sua cabeça?
IC – Às vezes pode vir uma emoção a tona, mas não é bom se emocionar, nem comemorar antes da hora. Procuro não analisar muito minha posição, e me concentrar somente na descida.
TI – Você já teve de ir sozinha competir pelo Brasil?
IC – Não nos últimos anos. Mas no inicio da minha carreira, fui sozinha muitas vezes, até a Suécia e Finlândia me aventurei em Copas do Mundo. Não é uma experiência muito boa ir sozinha. As pistas de SBX são muito exigentes e muitas vezes perigosas. É fundamental estar acompanhada de no mínimo um treinador.
TI – Na sua opinião, quais são os principais valores que um atleta deve ter para subir no lugar mais alto do pódio?
IC – Buscar o seu melhor, principalmente nos treinos. Confiar nos profissionais que o ajudam e fazer tudo bem feito. Se ele subir no pódio, vai ser conseqüência de um bom trabalho.
TI – Qual foi a sua maior conquista no Snowboard? E o que ela representa na sua carreira?
IC – O 9˚ lugar em Torino 2006. Significou o melhor resultado do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno e isso me dá muito orgulho.

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TI – Como é representar nosso país em um esporte tão competitivo lá fora?
IC – Estou há tantos anos competindo no circuito, sou uma das atletas mais antigas. Estou acostumada e todos me conhecem, até porque tem esse lado exótico de ser Brasileira, competindo na neve. Algumas vezes me vejo dando recomendações a alguma atleta nova no circuito, de um pais tradicional na neve…

TI – Quando em 1995, venceu pela primeira vez o campeonato de snowboard, pensou que algum dia teria seu reconhecimento simbolizado como porta-bandeira da Delegação Brasileira dos Jogos Olímpicos de Inverno?
IC –De jeito nenhum, nem pensava em Olímpiada, só pensava em snowboard, queria fazer de tudo para poder estar com a prancha no pé. As circunstancias e minha personalidade me foram levando nesse caminho.

TI – Tem outra atividade profissional, além da carreira esportiva?
IC – Antes era Instrutora de Snowboard. Também me formei em Arquitetura.
isaclarkTI – Você é instrutora? Como é para você ensinar o que aprendeu depois de tantas conquistas no esporte?
IC – Desde 2004 que não trabalho como instrutora. Mas em geral me dá muito prazer ver uma pessoa avançando no snowboard.
TI – E sua família? É casada? Filhos?
IC – Sou casada com Iván, meu treinador. Não temos filhos.
TI – Qual a dica que você daria para quem está começando agora no esporte?
IC – Se gosta muito do snowboard ou outro esporte, vai fundo… sempre ir fundo em alguma coisa, irá trazer muita experiência e aprendizado.

Isabel Clark Heliski Andes from Vaz Web Tv on Vimeo.
A snowboarder Isabel Clark teve o seu primeiro contato com a neve e snowboard em 1994 e já no ao seguinte conquistou o seu primeiro título: Campeã Brasileira de Snowboard em Valle Nevado, Chile. Em 1999 iniciou sua carreira de instrutora em Mammoth Mountain, na Califórnia e Valle Nevado, no Chile. Em 2001, treinou na Europa com o time francês e teve a sua primeira experiência na Copa do Mundo e no Campeonato Mundial de Snowboard. De 2003 a 2006 foi eleita a melhor atleta do ano em esportes de neve. Nas Olimpíadas de Turim, em 2006, ficou em 9º lugar, o melhor resultado de um brasileiro na história das Olimpíadas de Inverno. De lá até hoje são mais de 15 titulos nacionais, 10 internacionais.

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CC BY 4.0 Isabel Clark by Jornalismo Colaborativo is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Sobre o Autor

Jornalismo Colaborativo

Principal site de Jornalismo Colaborativo, destaque no Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXIII / Prêmio Expocom 2016 e referência em startups de jornalismo na 300ª edição da Revista Imprensa em 2014.

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