18 de outubro, 2017


Para esquecer a bagunça dos feriados casal percorre o Caminho Velho de bicicleta

Para esquecer a bagunça dos feriados casal percorre o Caminho Velho de bicicleta

estrada-real-05Dentre as muitas histórias de casais que viajam juntos, há sempre aquelas que se destacam pela relação direta com a natureza e o esporte. Atraídos pela história do caminho velho de Ouro Preto à Paraty, Freddy Vanderstappen e Mariana Ferreira deixaram para trás a bagunça das festas de fim de ano e pedalaram durante 12 dias na Estrada Real. Uma volta ao passado do século XVII, período que a Coroa Portuguesa oficializou os caminhos do trânsito de ouro e diamantes de Minas Gerais até os portos do Rio de Janeiro.

Fisioterapeuta, acupunturista e instrutor de Yoga, Freddy quando não está pegando onda, tem em sua companhia a namorada Mariana que é técnica em meteorologia e engenheira ambiental. Há quatro anos os dois treinam e praticam atividades físicas para quando sobra um tempo, poderem encarar novas aventuras.

Na realidade, eles procuram ir a lugares diferentes todos os fins de semana. A escolha depende muito da previsão do tempo, do mar, da época e do dinheiro disponível. Para eles, contemplar a natureza é muito mais do que vencer os limites do corpo para chegar em algum lugar, mas a busca pela paz e o amor.

A seguir, entrevistamos o casal que entre outras curiosidades, explica como foi percorrer mais de 700 km da Estrada Real.

Afinal, como foi essa última aventura no Caminho Velho? 

No geral foi surpreendente. Tivemos dias de longas e cansativas pedaladas, recompensados por belas paisagens que misturavam fragmentos de Mata Atlântica com cerrado. Muitos pássaros, estradas de terra, normalmente vazias e tranquilas. Os mineiros foram muito receptivos e prestativos, sentimos muita segurança.

Quais foram as maiores dificuldades que vocês enfrentaram pelo caminho e como lidaram para resolver?

A maior dificuldade foi estar fazendo o caminho pela primeira vez,e não conhecer muito a região percorrida. Não tivemos problemas com alimentação, tomávamos um bom café da manhã e partíamos rumo a próxima cidade, onde calculávamos chegar na hora do almoço, e quando chegávamos ao nosso destino final do dia, nos estalávamos para descansar e repassar o planejamento do próximo.

Como foi levantar acampamento e passarem o Natal e Reveillon isolados de tudo e de todos?

Estamos acostumados a viajar juntos neste período. Viajar no dia 24, garante economia e tranquilidade. O problema é encontrar lugar para a ceia na véspera de Natal e Ano Novo! rsrs…como moramos no litoral, preferimos fugir da “muvuca” do final de ano, e escolher roteiros diferentes.

Vocês cortaram caminho ou seguiram a maior parte pela Estrada Real? Usaram algum mapa?

Usamos o mapa fornecido pelo site da estrada real. Com o uso de um GPS e os dados baixados do site fica fácil e os totens da estrada real estão por todos os lados. Fizemos um atalho pela rodovia para encurtar um trecho em alguns quilometros mas as estradas não possuem acostamento e acabam sendo muito mais perigosas que as estradas indicadas. Depois deste dia evitamos ao máximo sair da estrada real.

Em algum momento pensaram em desistir? Afinal, quantos dias, horas e quilômetros exatamente vocês fizeram de bike?

No primeiro dia foram 77km, no segundo 44km e depois paramos de contar. A media foi de 85km. tiramos dois dias para descansar em locais turísticos então nos dias anteriores pedalávamos mais: cerca de 100km. Foi interessante como com o passar dos dias a quilometragem e as horas em cima da bike foram perdendo importância. Na verdade nós desistimos do trecho entre Guaratinguetá a Caraguatatuba devido ao excesso de chuvas que deixou o terreno muito mais cansativo e o não queríamos pedalar na serra devido ao intenso movimento de fim de ano.

Em 2015 vocês também fizeram uma outra viagem bastante econômica. Durante um feriado de 4 dias e sem onda, remaram de stand up paddle toda a parte abrigada da Ilha Grande. O que vocês diriam para nossos leitores sobre esse roteiro?

É possível! Remamos mais de 40km em 3 dias por praias maravilhosas. Mas todo passeio deste tipo envolve algum tipo de risco e você deve estar preparado. Com planejamento, conhecimento e treino a chance de se meter em uma roubada diminui. Esta viagem serviu principalmente para isso. Por mais que você tenha estudado mapas, olhado todas as previsões, lembrado de levar tudo que for necessário para uma urgência a sorte pode muda a qualquer hora. Um vento contra triplicou o tempo que levaríamos para completar uma distância pequena. Nestas horas ter equilíbrio emocional é fundamental. Uma viagem de aventura sempre envolvera riscos.

VÍDEO DO ROTEIRO


Vocês comentaram que a Chapada foi um dos melhores roteiros que já fizeram, embora não tenham conseguido ficar tanto tempo para explorar mais. Porém, quando não há muitas possibilidades, onde vocês costumam ir? Que lugar é este sentados em uma pedra com headlights acesos? 

Esta foto foi tirada no morro de Santo Antônio em Caraguatatuba. Distante uns 5 km da nossa casa. Estávamos sem fazer nada em casa em um Domingo e saímos para caminhar. Muitas pessoas se queixam de não poder viajar e mal conhecem a sua própria cidade. Não precisa ser pra longe, não precisa ser para algo novo. As vezes um novo olhar já te faz viajar.

E para 2016, quais são os próximos obstáculos naturais que vocês pretendem vencer?

Na atual conjuntura: Viajar mais ganhando menos. Não há um planejamanto de viagens. Existem muitos lugares e pouco tempo. No Carnaval já tem pedal…


FOTOS DA VIAGEM

OUTRAS VIAGENS DO CASAL

Saco do Mamanguá

Canion em Fortaleza

Parque da Bocaina

São Bento do Sapucaí

Costa Rica

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Sobre o Autor

Jornalismo Colaborativo

Principal site de Jornalismo Colaborativo, destaque no Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXIII / Prêmio Expocom 2016 e referência em startups de jornalismo na 300ª edição da Revista Imprensa em 2014.

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