20 de Janeiro, 2018


Especial Religião – Doutrina Espírita

Os pilares técnicos nos quais Allan Kardek baseou sua doutrina espírita são muito simples. Assim como o cristianismo, o espiritismo considera a existência de Deus, ente de natureza espiritual, imortal, que se entende como o criador do Universo. Apenas, com uma particularidade: essa entidade supra-física ocupou-se primeiro de criar o mundo dos espíritos para, posteriormente, tirar do nada o mundo material que nos rodeia.

Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dotados de aptidões para tudo conhecerem e para progredirem, em virtude do seu livre-arbítrio. Pelo progresso adquirem novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções e, consequentemente, novos gozos desconhecidos dos Espíritos inferiores; eles vêem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem ver, sentir, ouvir ou compreender.

Segundo a visão de Allan Kardek, em sua obra, existem três grandes grupos de espíritos:

  • Espíritos puros que são os que chegaram à perfeição.
  • Espíritos que estão na metade do caminho para a perfeição, e preocupam-se em  alcançar o bem.
  • Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, desejo do mal e todos os defeitos e paixões que atrasam seu próprio progresso.

Para Kardek e seus seguidores, este mundo e qualquer outro, não é mais que uma variada magma de espíritos que pugnam por se comunicar conosco. Nesse emaranhado, de onde parecem proceder todos os bens e todos os males, o ser humano necessitaria de uma constante ajuda dos médiuns, para que seu próprio espírito encarnado não sucumbisse num mar de confusões. Esses médiuns são classificados, na doutrina, segundo distintas especialidades, entre as quais destacam-se como mais importantes, os médiuns de efeitos físicos, os sensitivos, os auditivos, os faladores, os videntes, os sonâmbulos, os curandeiros e os psicógrafos ou escreventes.

O homem compõe-se de corpo e espírito: o espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o invólucro material que reveste o espírito temporariamente, para preenchimento da sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. O corpo, usado, destrói-se e o espírito sobrevive à sua destruição.

Privado do espírito, o corpo é apenas matéria inerte, qual instrumento privado da mola real de função; sem o corpo, o espírito é tudo: a vida, a inteligência. Em deixando o corpo, torna ao mundo espiritual, onde paira, para depois reencarnar. Existem, portanto, dois mundos: o corporal, composto de espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no Espaço, sem limite algum designado.

Em razão mesmo da Natureza fluídica do seu envoltório, os seres que o compõem, em lugar de se locomoverem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias com a rapidez do pensamento. A morte do corpo não é mais que a ruptura dos laços que os retinham cativos.

Nos Estados Unidos e na Europa, o aparecimento do espiritismo na metade do Século XIX, incitou grande interesse popular por todos os tipos de assuntos psíquicos. Esse movimento, com características de religião, tinha como premissa fundamental a idéia de que os mortos sobrevivem desencarnados num outro mundo, assumindo a forma de espíritos ou inteligências capazes de se comunicarem com os vivos através de sensitivos ou médiuns. De particular interesse para cientistas e estudiosos eram os chamados médiuns físicos que, segundo se dizia, transmitiam as mensagens de espíritos de outros mundos para os vivos, através de pancadas nos móveis, inclinação de mesas ou outros fenômenos típicos de sessões espíritas.

Como se podia prever, a maioria dos membros da comunidade científica relutou em atravessar a fronteira para a pesquisa psíquica. Na verdade, a maior parte deles mostrou desprezo — e talvez algum medo subjacente — por qualquer fenômeno que não pudesse ser prontamente explicado pela ciência da época. Alguns, porém, defenderam a idéia de que os misteriosos acontecimentos de sessões espíritas não eram sinais do mundo dos espíritos, mas sim fenômenos psicocinéticos, produzidos pelos próprios médiuns, talvez criados pela força do pensamento, ou seja, a força de vontade consciente ou subconsciente.

O espiritismo, naturalmente, elaborou teorias metafísicas para tratar de explicar a estranha fenomenologia mediúnica. Dizem existir uma força enormemente positiva circundando o planeta, à qual os médiuns têm fácil acesso, graças um especial desenvolvimento de seu perispírito, espécie de fluido sutil, metade espírito, metade matéria, que lhe permite vários desdobramentos e comunicações de diversas índoles. Um dos grandes problemas que esse desdobramento de personalidade gerou, foi a infinidade de falsos médiuns que começaram a aparecer, com fins outros que não aqueles que a doutrina espírita pregara. É interessante observar que a época dos grandes médiuns, entretanto, parece que já passou há muito tempo, fato que coincide com os sensíveis avanços técnicos da ciência, que ajudaram a obter uma investigação mais exaustiva do fenômeno.

 

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