20 de Janeiro, 2018


Especial Religião – O Hinduismo

O Hinduísmo não pode ser considerado uma filosofia, e nem mesmo uma religião bem definida. Na realidade, é um complexo organismo sócio-religioso, composto de um grande número de seitas, cultos e sistemas filosóficos envolvendo rituais, cerimônias e disciplinas espirituais, bem como a adoração de incontáveis deuses e deusas.

Tem suas tradições registradas a partir de 1.500 a.C., nos quatros livros dos Vedas, que é uma coleção de antigos textos escritos por sábios anônimos, os chamados videntes védicos. Escritos em sânscrito arcaico, a linguagem sagrada da Índia, os Vedas continuam a ser a mais alta autoridade religiosa para a maioria dos setores do Hinduísmo. As partes mais antigas são constituídas de preces e hinos sagrados, e as subsequentes referem-se a rituais de sacrifício vinculados aos hinos védicos. As partes mais recentes têm a ver com os Upanishads, elaborando seu conteúdo prático e filosófico. Os  Upanishads contêm a essência da mensagem espiritual do Hinduísmo, tendo guiado e inspirado as maiores mentes da India ao longo dos últimos vinte e cinco séculos.

No período dos arianos, ou árias (homens), a explicação de suas divisões sociais era encontrada nos Vedas: da cabeça do deus primordial saíram os brâmanes (casta social dominante), dos braços saíram os guerreiros, das pernas os produtores e dos pés os servos (não-árias, ou não-homens). O mundo, conforme a concepção desta época, foi formado a partir da organização, por força divina, de um caos preexistente. No sistema religioso hinduísta atual há uma série de ramificações, que geraram crenças e práticas diversas, assim como há muitos deuses e muitas seitas de diversas características.

O Hinduísmo tem sua ênfase no que seria o modo correto do viver (dharma). Os cultos hinduístas são realizados tanto em templos e congregações quanto podem ser domésticos. A cerimônia mais comumente realizada é relativa à oração (puja). A palavra Om, representa a vibração original, uma vibração que transcende o início, o meio e o fim de todas as coisas, vinculando-se, desta maneira, à imagem da própria divindade. Os códigos sagrados do Hinduísmo são: os Vedas, consistindo em escrituras que incluem canções, hinos, dizeres e ensinamentos; o Smriti, escrituras tradicionais que incluem o Ramayana, o Mahabarata, e o Bhagavadgita. O Hinduísmo é a religião atualmente predominante na Índia (pouco mais de 80% da população).

Em sua maior parte, o povo indiano tem recebido os ensinamentos do Hinduismo não através dos Upanishads, propriamente, mas sim por intermédio de um grande número de contos populares, reunidos em épicos de vastas dimensões, que constituem a base da ampla e colorida mitologia da Índia.  Um desses épicos, o Mahabharata, contém o texto religioso favorito da Índia, o belíssimo poema espiritual do Bhagãvãd. O Gita, como é comumente designado, é um diálogo entre o deus Krishna e o gerreiro Arjuna, que se encontra em grande desespero uma vez que se vê forçado a combater seus próprios parentes na grande guerra familiar que constitui a história principal do Mahabharata.

A base da instrução espiritual do Krishna, como, de resto, de todo o Hinduismo, consiste na idéia de que as coisas e eventos que nos cercam nada mais são, em sua grande variedade, que manifestações diversas de uma mesma realidade última.  Essa realidade, chamada Brahman, é o conceito unificador  que confere ao Hinduismo seu caráter essencialmente monístico, não obstante a adoração de numerosos deuses e deusas.

Brahman, a realidade ultima, é entendida como sendo a alma ou essência interna de todas as coisas.  Ela é infinita, está além de todos os conceitos.  Ela não pode ser apreendida pelo intelecto nem adequadamente descrita em palavras.  Contudo, as pessoas querem falar acerca dessa realidade e os sabios hindus, como sua propensão característica para o mito, representaram Brahman como divino e sobre ele se expressam em linguagem  mitológica.  Os diversos aspectos do divino receberam os nomes dos inúmeros deuses adorados pelos hindus, mas os textos deixam bem claro que todos esses deuses são apenas reflexos da realidade última.

Dois grandes místicos hindus – Yogananda e Krishnamuarti – tiveram grande influência na propagação do hinduismo no Ocidente. O jornal Los Angeles, em 1925, referiu-se a Yogananda com “o hindu que invadiu os Estados Unidos para trazer Deus”. Em 1927, o eloquente e suave homem santo foi convidado a visitar o Calvin Coolidge na Casa Branca e tornou-se o primeiro swami a ser oficialmente recebido por um presidente americano. Os adeptos não perdiam um pronunciamento seu e ficavam presos a sua palavra.

Quando Krishnamurti morreu, a primeira onda de hinduismo no Ocidente já estava sendo substituida por outro movimento muito mais consistente, liderado por uma nova geração de ocidentais.  Para esses jovens, as filosofias orientais representavam uma alternativa ao materialismo excessivo das sociedades ocidentais. À medida que crescia o interesse por tais doutrinas, nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, as idéias, rituais e manifestações artísticas hindus e budistas passaram a influenciar cultura popular do Ocidente de maneira ainda mais decisiva.

A Meditação Transcendental (MT) foi umas das mais populares dentre todas as práticas – inspiradas no hinduismo –  que foram difundidas no Ocidente na década de 60.  Era uma forma de contemplação estruturada, que prometia muitos dos mesmo benefícios físicos e psicológicos associados à hatha-ioga, que havia sido divulgada no Ocidente na década de 20.

A Haha-ioga enfatizava o domínio do corpo através de posições como “cabeça para baixo” e “pernas cruzadas” – sendo esta última  a posição conhecida por lótus.  No entanto, apesar de um tanto exageradamente aplicada no Ocidente, a MT trazia consigo uma suave brisa do Oriente misterioso.  Seus adeptos diziam que só ela tornava possível a levitação; esse caráter exótico que a distinguia das demais formas de ioga foi cuidadosamente preservado por seu criador – o guru Maharishi Mahesh Yogi.

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