20 de Janeiro, 2018


Especial Religião – O Judaísmo

É a primeira religião monoteística da humanidade. Funda-se sobre a revelação dos dez mandamentos de Deus a Moisés, no monte Sinai, no Egito. Segundo a tradição, Moisés descendia de Isaac, filho de Abraão, patriarca da Mesopotâmia, o primeiro a receber uma revelação de Deus. Na metade do Século XIX a.C., Abraão abandonou o politeísmo e conduziu seu povo para Canaã, atual Palestina. O povo judeu nasceu na Terra de Israel (Eretz Israel). Nela transcorreu uma etapa significativa de sua longa história, cujo primeiro milênio está registrado na Bíblia: nela se formou sua identidade cultural, religiosa e nacional, e nela se manteve ininterrupta, através dos séculos, sua presença física, mesmo depois do exílio forçado da maioria do povo.

Quando os israelitas, no Século XV a.C., encontravam-se escravizados no Egito, Moisés, um judeu, matou um egípcio em defesa de um israelita e fugiu para o deserto do Sinai. Lá, o Deus de Abraão ordenou-lhe que conduzisse os israelitas para o deserto. A revolução (Torah) no monte Horeb constituiu o evento fundador da religião de Israel. Os israelistas deixaram o Egito conduzidos por Moisés e vagaram no deserto durante 40 anos. A Torá, que inclui os Dez Mandamentos, foi recebida no Monte Sinai. Os israelitas se instalaram na Terra de Israel. A monarquia judaica foi estabelecida; Saul foi o primeiro rei. Jerusalém tornou-se a capital do reino de David. O Primeiro Templo, centro nacional e espiritual do povo judeu, foi construído em Jerusalém pelo Rei Salomão. O reino de Israel foi destruído pelos assírios; 10 tribos foram exiladas (as Dez Tribos Perdidas) e o reino de Israel foi destruído em 721 a.C.

Em 586 a.C., Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu o reino de Judá, destruiu o primeiro templo e deportou a maioria do povo de Judá. É a partir do exílio na Babilônia que se pode falar propriamente de judaísmo. Com a divisão das tribos judaicas em dois reinos, surgiu a esperança e a fé num Messias (ungido): o enviado de Deus para restaurar a unidade do povo e a soberania divina sobre todo o mundo. Os judeus começaram a voltar à Palestina em 538 a.C. Entre os séculos II e IV a.C., migrações voluntárias difundiram a religião e a cultura judaica por todo o Oriente Médio. Em 70 d.C. os romanos destruíram o segundo templo e, em 135, Jerusalém foi arrasada.

Com a destruição do segundo templo de Jerusalém e da própria cidade, começou o período da grande dispersão do povo judeu, a Diáspora. Espalhados por todos os continentes, os judeus mantiveram sua unidade cultural e religiosa. A Diáspora terminou em 1948 com a criação do Estado de Israel. A Bíblia hebraica foi fixada no final do Século I d.C. No início da Era Cristã, as tradições orais do povo judeu foram registradas nos livros Mishnah, Targumim e Midrashim. O Pentateuco, que é atribuído ao próprio Moisés, é o conjunto dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento (a Bíblia hebraica):  o Gênesis, sobre a origem do mundo e do homem; o Êxodo, que narra a fuga dos judeus escravizados no Egito; o Levítico, que trata das práticas sacerdotais; Números, que traz o recenseamento do povo judeu; e Deuteronômio, com discursos de Moisés e código de leis familiares, civis e militares.

Entre 1947 e 1956 foram descobertos nas cavernas Qumran, no Mar Morto, 800 pergaminhos escritos entre 250 a.C. e 100 d.C. com os mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica. Eles descrevem atividades, regras, cultos e crenças de uma tribo judaica, os essênios, e revelam certos aspectos até então considerados como exclusivos do cristianismo. Apresentam grandes semelhanças com os Evangelhos do Novo Testamento e referem-se a práticas que lembram a Santa Ceia, o Sermão da Montanha e a cerimônia do batismo. Os Manuscritos são considerados um dos mais importantes achados arqueológicos já realizados.

Israel, atualmente, é um pequeno e estreito país semi-árido situado na costa sudeste do Mar Mediterrâneo. Ele entrou para a história há cerca de 35 séculos, quando o povo judeu abandonou a vida nômade, estabeleceu-se nesta terra e tornou-se uma nação. No correr dos anos, o país recebeu diferentes nomes: Eretz Israel (Terra de Israel); Sion, nome de uma das colinas de Jerusalém, que tornou-se o sinônimo tanto da cidade quanto de toda a Terra de Israel; Palestina, derivado de Palestina, usado pela primeira vez pelos romanos; a Terra Prometida; e Terra Santa, etc… Contudo, para a maioria dos israelenses o país é simplesmente Haaretz — a Terra.

Existem, atualmente, cerca de 13 milhões de judeus em todo o mundo; mais de 5,5 milhões de pessoas vivem hoje em dia em Israel. Cerca de 4,5 milhões são judeus; e a maioria dentre o milhão sobressalente se constitui de árabes. O país se caracteriza por um amplo espectro de estilos de vida, variando do religioso ao secular, do moderno ao tradicional, urbano e rural, comunal e individual.

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