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Ciência Cidadã: Experiência de educação científica com Astronomia Amadora
Photo Credit To Divulgação

Ciência Cidadã: Experiência de educação científica com Astronomia Amadora

Ciência Cidadã: Experiência de educação científica com Astronomia Amadora

Ter assistido a um documentário sobre astronomia não nos torna astrônomos amadores, assim como assistir a uma final de copa do mundo não nos torna jogadores de futebol.

Possuir um telescópio também não é o suficiente para nos definir como astrônomos amadores, tanto quanto possuir uma guitarra e ter assistido a um show do Eric Clapton não nos torna guitarristas.

William Herschel
Retrato do astrônomo alemão William Herschel (1738-1822)

Para ser jogador é preciso entrar em campo. E jogar. Para ser um guitarrista é preciso estudar. E tocar. Para ser um astrônomo amador, também é preciso ir além da condição de mero espectador. O astrônomo amador é aquele que conhece o céu e o OBSERVA.

Se você não é um médico profissional, não recomendamos que tente se tornar um neurocirurgião amador. Mas se esse era seu sonho de infância, e você estiver determinado a perseguir seu sonho, certamente o veremos se tornar célebre estampando manchetes policiais por exercício ilegal da profissão.

Mas temos um cenário muito diferente aguardando aqueles que gostariam de contribuir de forma não profissional com a ASTRONOMIA.

Quando descobriu Urano, em 1871, utilizando um telescópio construído por ele mesmo, William Herschel era um astrônomo amador.

Astrônomos Amadores e Cientistas Cidadãos

A contribuição dos amadores tem sido fundamental ao avanço da Astronomia e importantes descobertas são creditadas a observadores que tinham a Astronomia como hobby.

Mas essas contribuições vão além das grandes descobertas. Ao contrário de nosso bem comportado Sol, há estrelas que variam intrinsecamente sua luminosidade. Há estrelas que variam de brilho devido às pulsações constantes que as fazem variar de tamanho. Há estrelas que variam de brilho devido a eclipses causados por uma estrela companheira em sua órbita. Além das variáveis explosivas como as novas e supernovas.

Monitorar a variação do brilho dessa vastidão de estrelas é uma tarefa que não pode prescindir da contribuição do exército de observadores amadores.

A AAVSO (American Association of Variable Stars Observers) compila os dados de fotometria de estrelas variáveis produzidos por amadores e os disponibiliza um vasto banco de dados.

Outro tipo de monitoramento realizado por amadores espalhados pelo mundo é a cronometragem de ocultações de estrelas pela Lua. Mais raros, mas ainda mais importantes, são as ocultações de estrelas por asteróides. Estas observações fornecem dados que podem, por exemplo, revelar a geometria ou a presença de anéis ou de satélites em torno de asteróides.

A IOTA (International Occultation Timing Association) é um grupo formado em 1983 para congregar os observadores de ocultações, fornecendo previsões de eventos de ocultação e compilando os dados registrados pelos observadores.

A observação de meteoros também é uma atividade que conta com voluntários amadores ao redor do globo monitorando as principais chuvas periódicas ou registrando imagens em estações domésticas de monitoramento. A rede EXOSS reúne estações de monitoramento amadoras e profissionais alimentando um banco de dados único no hemisfério Sul.

A rede IMO (International Meteor Organization) compila dados de observação visual de chuvas de meteoros. Seu banco de dados é fonte importante para a previsão da atividade das chuvas periódicas ao longo do ano.

Astronomia Amadora e a Ciência Cidadã

Divulgar ciência nas redes é necessário, mas também são imprescindíveis as iniciativas de divulgação e educação científica off-line. Além de gerar e divulgar conteúdo científico para os canais digitais, o projeto Céu Profundo também se propões a levar a astronomia às ruas, parques, escolas e museus.

Em nossa mais recente iniciativa coordenamos em parceria com o Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos o curso Astronomia Amadora – Ciência Cidadã, contando com aulas ministradas por astrônomos amadores experientes e por profissionais da Divisão de Astrofísica do INPE, do Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP e do Laboratório de Registro de Imagens (LRIM) do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Museu Interativo de Ciências, em São José dos Campos. Foto: Divulgação

O curso, iniciado no dia 13/08 ofereceu 40 vagas, divididas entre professores da rede municipal de ensino (20 vagas) e entusiastas da astronomia amadora (20 vagas). A demanda foi forte e as vagas esgotaram-se em 24h.

Ciência Cidadã: Experiência de educação científica com Astronomia Amadora

Um curso oferecido para professores da rede municipal de ensino de São José dos Campos e para entusiastas amadores da astronomia

Na primeiro dia de aula, o vasto campo de atuação disponível para a atuação de astrônomos amadores foi apresentado por Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE). Observação e fotometria de estrelas variáveis, observação de ocultação de estrelas pela Lua e por asteróides e o monitoramento de asteróides e objetos próximos à Terra (NEOs – Near Earth Objects) são alguns dos programas observacionais que podem ser conduzidos por amadores e cujos dados são de grande valor para a ciência profissional.

Curso de Astronomia CidadãNo segundo dia de aula, o Dr. Alexandre Wuensche da Divisão de Astrofísica do INPE traçou um panorama da astronomia profissional no Brasil, apresentando as principais instituições e os caminhos acadêmicos para quem deseja seguir o caminho da profissionalização. Os principais programas de pós-graduação e a realidade do mercado de trabalho foram apresentados, mostrando que além da atuação no meio acadêmico, o astrônomo é um profissional com habilidades valiosas para o mercado.

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Sessão de observação remota com o telescópio Argus. Um telescópio Schmidt-Cassegrain robótico de 11 polegadas disponibilizado para uso educacional através do programa Telescópios na Escola.
O terceiro dia de aula iniciou o ciclo de atividades práticas, com observação telescópica da Lua, de Júpiter e Saturno e de aglomerados estelares. Após a observação dos principais satélites de Júpiter, um exercício mostrou como é possível a partir da observação do movimento destas luas determinar a massa de Júpiter.

Sessão de observação remota com o telescópio ArgusPara encerrar a semana, em uma sessão de observação remota com o telescópio Argus de 11 polegadas do Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP) foram capturadas imagens da galáxia NGC 5128 (Centaurus A) e da nebulosa M20 (Trífida), demonstrando as potencialidades do projeto Telescópios na Escola.

Galaxia NGC 5128
Imagem da galáxia peculiar NGC 5128/Centaurus A, capturada durante o curso em sessão de observação remota utilizando o telescópio robótico Argus no Observatório Abrahão de Moraes (Valinhos – SP).

Em sua segunda semana o curso seguirá mesclando apresentações teóricas e atividades práticas, com aulas do Dr. Francisco Jablonski (DAS/INPE), do Dr. Alexandre Oliveira (UNIVAP), Suzanne de Paula (Exoss) e Wandeclayt Melo (Céu Profundo/IAE).

O objetivo do curso é apresentar o alto nível da astronomia profissional brasileira e reforçar que na condição de astrônomos amadores ou cientistas cidadãos, cada um dos professores e entusiastas matriculados podem também contribuir para a ciência do Brasil.

#PelaCienciaBrasileira

Ciência Cidadã: Experiência de educação científica com Astronomia Amadora

A primeira edição do curso Astronomia Amadora – Ciência Cidadã validou um modelo de divulgação e educação científica que aproximou cientistas profissionais, astrônomos amadores, professores da rede municipal de ensino de São José dos Campos e diversas instituições de ensino e pesquisa.

Prof. Dr. Alexandre Wuensche (DAS/INPE)
Prof. Dr. Alexandre Wuensche (DAS/INPE) – Astronomia Profissional: Um Panorama da Ciência no Brasil.

Foram 16h de aulas teóricas e atividades práticas entre os dias 13 e 22 de agosto (2019) nas instalações do Museu Interativo de Ciências de São José dos Campos, ministradas por astrofísicos e especialistas da Divisão de Astrofísica do INPE, do Observatório de Astronomia e Física Espacial da UNIVAP, do Observatório Abrahão de Moraes (IAG/USP) e do Laboratório de Registro de Imagens do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA).

O curso teve como principal objetivo desenvolver o conceito de Ciência Cidadã, mostrando como astrônomos amadores conduzem atividades observacionais sistemáticas e prestam valiosas contribuições ao avanço da ciência profissional.

Prof. Dr. Alexandre Soares
Prof. Dr. Alexandre Soares (IP&D/UNIVAP) – O Brasil na Era dos Grandes Telescópios.

O panorama da astronomia profissional no Brasil, incluindo o status da participação brasileira nos grandes telescópios atuais e na nova geração de telescópios gigantes e radiotelescópios que entrarão em operação na próxima década – como o radiotelescópio BINGO e o GMT (Giant Magellan Telescope) – foi apresentado por astrofísicos envolvidos diretamente nestes projetos.

Prof. Dr. Francisco Jablonski (DAS/INPE)
Prof. Dr. Francisco Jablonski (DAS/INPE) – Processamento de Imagens Astronômicas

Durante as atividades práticas, foram observados Júpiter, Saturno, a Lua, estrelas duplas e aglomerados estelares. Utilizando o telescópio robótico Argus do Observatório Abrahão de Moraes, foram observados outros objetos de céu profundo, como Galáxias, nebulosas e aglomerados estelares. Técnicas de processamento de imagens e redução de dados para astronomia foram apresentadas e demonstradas.

NGC 4755 RGB
NGC 4755, imagem RGB composta a partir de imagens monocromáticas nos filtros R, V e B, capturadas através do telescópio robótico Argus.

 

Ciência Cidadã: Experiência de educação científica com Astronomia Amadora

Diagrama de cor e magnitude
Diagrama Cor-Magnitude (CMD) do aglomerado aberto NGC 4755 computado a partir das imagens capturadas no filtros B e V em aula prática do curso.

Ainda como atividades práticas, foram determinadas a massa e o diâmetro de Júpiter, a partir de dados observacionais.

O curso atingiu seu objetivo, encontrando ao seu final uma turma motivada a se engajar em atividades sistemáticas de observação e se aprofundar nas diversas áreas em que astrônomos amadores tem tido decisiva participação em descobertas e avanços da ciência.

 

Céu Profundo, Astronomia Amadora – Ciência Cidadã. Conteúdo certificado S.A.B. Sociedade Astronômica Brasileira


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