O Projeto de Lei que transforma os Cefets de Minas Gerais e do Rio de Janeiro em universidades tecnológicas, que foi aprovado pelo Senado Federal no dia 8 de julho, se inspirou no modelo pioneiro da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). A instituição paranaense foi a primeira deste segmento no país e se tornou referência direta para o surgimento das novas instituições.
Criada em 2005 a partir da transformação do antigo Cefet-PR, a UTFPR se consolidou ao longo de duas décadas com uma identidade própria baseada no ensino aplicado, na inovação, na pesquisa tecnológica e na forte conexão com os setores produtivos e com a sociedade, se tornando um case de sucesso que norteia, agora, a transformação das instituições mineira e fluminense.
Reconhecimento
Para o reitor da UTFPR, Everton Lozano, a aprovação do projeto no Senado representa o reconhecimento de um modelo que se mostrou bem-sucedido no Paraná ao longo dos anos.
“Com a transformação dos Cefets de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, reforçamos nosso modelo de universidade tecnológica. A partir da chegada delas, o Brasil passa a contar com uma rede de instituições que carregam esta mesma identidade de ensino aplicado, alinhado a um relacionamento muito estreito com a comunidade. É algo que nos distingue e fortalece o conceito deste tipo de universidade”, afirma.
Ainda segundo o reitor, a experiência da UTFPR demonstra os benefícios proporcionados pela transformação institucional. Entre eles estão a maior autonomia didático-científica, administrativa e financeira, permitindo a expansão de cursos e a ampliação do acesso de estudantes à universidade pública, como ocorreu com a própria UTFPR ao ter autonomia administrativa para planejar sua expansão para o interior do Paraná.
Atualmente, a universidade está presente em 13 campi distribuídos pelo Paraná, alcançando uma população de aproximadamente 5,5 milhões de pessoas em diferentes regiões do estado. Essa capilaridade confere à UTFPR o reconhecimento de maior universidade multicampi do Brasil.
A instituição reúne cerca de 35 mil estudantes e oferece 123 cursos de graduação, 80 cursos de mestrado e doutorado e 48 cursos de especialização e MBA. Além disso, todos os anos, disponibiliza 9.120 vagas para novos estudantes de graduação, ampliando o acesso da população ao ensino superior público e de qualidade.
Déficit de profissionais
A chegada de novas universidades tecnológicas vem num momento decisivo para o desenvolvimento do país. O Brasil registra um déficit de profissionais da engenharia, segmento bastante expressivo em cursos de instituições deste tipo: um levantamento realizado em 2023 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) constatou que o Brasil tem uma carência aproximada de 75 mil engenheiros em relação às demandas do mercado de trabalho local.
“Quando o país amplia o acesso à educação tecnológica, cria condições para enfrentar gargalos históricos de qualificação profissional. Investir na formação de profissionais em áreas onde as universidades tecnológicas têm expertise significa preparar o Brasil para responder aos desafios de crescimento do presente e dos próximos anos”, completou o reitor da UTFPR.