História vencedora — II edição (2016)
“Efêmera Eternidade”, de Michel Zylberberg, venceu a II edição do Desafio Expedição na Montanha. Esta publicação preserva a história da fotografia, a noite em Zermatt e o percurso que levou ao registro da Via Láctea diante do Matterhorn.
Especial JC · Desafios Fotográficos · Alpes Suíços
Efêmera Eternidade: a Via Láctea, o Matterhorn e uma noite que quase terminou cedo demais
Michel Zylberberg não costuma tratar a fotografia como disputa. Reservado com seus próprios trabalhos, ele sempre preferiu mostrar muitas das imagens apenas a amigos e familiares. Para Michel, fotografar está mais próximo de uma linguagem íntima do que de uma competição de popularidade.
“A fotografia não deixa de ser um poema em cores — ou preto e branco.”
Foi justamente uma dessas imagens, produzida durante uma saída pelos Alpes Suíços, que venceu a II edição do Desafio Expedição na Montanha. Batizada de “Efêmera Eternidade”, a fotografia reúne a Via Láctea, a lua, o lago Leisee e o Matterhorn, em Zermatt, na Suíça.

Uma fotografia que quase não aconteceu
Embora morasse na Suíça havia cerca de dez anos, Michel ainda não conhecia a região de Zermatt. Naquela viagem, acompanhado dos amigos Lorenzo Riva e Enrico Boggia, aproveitou a primeira neve do ano para seguir de trem em direção a Gornergrat.
No meio da tarde, o grupo passou pelo lago Leisee, mas decidiu continuar até outro ponto que parecia mais promissor para o pôr do sol. Quando escureceu, voltaram ao primeiro lago. O cenário, porém, não parecia favorável: havia muitas nuvens, a lua ocupava justamente a região do céu onde esperavam encontrar a Via Láctea e o frio começava a apertar.

A noite em Zermatt
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Local
Lago Leisee · Zermatt · Alpes Suíços. -
Companhia
Lorenzo Riva e Enrico Boggia, amigos e companheiros de aventura. -
Condição inicial
Nuvens, frio crescente e a lua posicionada diante da região da Via Láctea. -
Decisão
Antes de desistir e voltar ao hotel, o grupo resolveu fazer um último teste.
A decisão de testar antes de abandonar o local mudou completamente a noite. Aos poucos, a Via Láctea começou a se revelar acima do Matterhorn. Michel percebeu que poderia reunir, em um único enquadramento vertical, o lago, a montanha, a lua e o céu estrelado.
“Foi nesse momento que fiz essa panorâmica vertical, unindo todos os elementos que me cercavam nessa noite mágica e inesquecível.”
Do lago ao hotel: quase três horas a pé
A fotografia não encerrou a aventura. Depois dos registros, Michel e os amigos ainda enfrentaram quase três horas de caminhada pelas montanhas geladas até retornarem ao hotel. O esforço, para ele, ganhou outra dimensão quando a experiência passou a existir também na memória e nas imagens.
“Todo sacrifício acaba desaparecendo quando, na memória, na tela do computador e nas fotos impressas, toda essa beleza fica eternizada. É na natureza que me sinto em casa, livre como na minha infância no Brasil. O céu é de todos; basta olhar para cima de vez em quando para admirá-lo.”
A técnica por trás do registro
“Efêmera Eternidade” foi produzida com uma Nikon D750 e uma objetiva Samyang 14 mm. A composição nasceu como uma panorâmica vertical, escolhida para reunir diferentes camadas da cena: a superfície do lago, o Matterhorn, a lua e a faixa luminosa da Via Láctea.
Câmera
Nikon D750.
Objetiva
Samyang 14 mm.
Composição
Panorâmica vertical construída para reunir lago, Matterhorn, lua e Via Láctea.
Fotografia, poesia e viagem
Carioca criado no Sul de Minas Gerais, Michel já havia passado por diferentes países quando produziu o registro em Zermatt. Parte dessas experiências acabou reunida no projeto pessoal RPM — Rodando pelo Mundo, em que viagens, informações práticas e reflexões se misturavam a relatos de quem efetivamente percorreu os lugares descritos.
Essa maneira de observar a viagem ajuda a compreender também sua fotografia: menos interessada em colecionar destinos e mais atenta ao que cada percurso pode revelar. Em “Efêmera Eternidade”, o resultado é um encontro entre técnica, espera, acaso e uma relação muito pessoal com a natureza.
A II edição dentro da história do Desafio
Realizada entre outubro e dezembro de 2016, a II edição do Desafio Expedição na Montanha recebeu mais de 500 inscrições. Fotógrafos amadores, profissionais e pessoas ligadas à natureza participaram daquele ciclo, ampliando um projeto que começava a ganhar identidade própria.
A curadoria editorial considerou a adequação ao tema, a originalidade e a criatividade dos registros. “Efêmera Eternidade” foi escolhida como a fotografia vencedora da edição.
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III edição · 2017
Magnus Apolinário de Andrade · “Os Três Irmãos” · Torres del Paine, Patagônia chilena. -
II edição · 2016
Michel Zylberberg · “Efêmera Eternidade” · Zermatt, Suíça. -
I edição · 2016
Marcos Felipe Terra · Andes Peruanos · fotografia e relato de travessia em altitude.
Da noite em Zermatt ao arquivo permanente
A antiga chamada para uma edição seguinte já cumpriu sua função. Hoje, esta publicação deve preservar o que realmente permanece: a história de Michel, a experiência daquela noite nos Alpes e a fotografia que venceu a II edição. O hub Expedição na Montanha conecta essa memória às demais edições, vencedores, galeria, dados, segurança e aos caminhos atuais de participação.