24 de junho, 2019

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Memória ameaçada

Memória ameaçada

Por falta de curiosidade e de vontade política, as empresas brasileiras ainda não se deram conta da necessidade de investimentos em Cultura. Por exemplo, a Biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, uma das bibliotecas de maior prestígio do País, muitas vezes precisou de socorro financeiro para poder se manter atualizada.

Da mesma maneira, o Correio Braziliense sangrou para assumir o patrocínio da edição dos 29 volumes correspondentes à história da primeira fase (de 1808 a 1822) desse mesmo jornal, aliás o primeiro jornal brasileiro a ser lançado, em Londres, em 1808 por Hyppolito José da Costa.

O investimento em Cultura, aqui no Brasil, ainda está engatinhando e as grandes empresas preferem alocar recursos no esporte ao invés de patrocinar livros, músicas, peças teatrais, artes plásticas e outras atividades culturais. Só no cinema é que temos visto alguma (ainda que pequena) modificação nesse quadro doloroso.

Seria necessário que o governo — soi disant cultural — voltasse suas baterias para processos mais simples de incentivos fiscais e que permitissem maiores facilidades e vantagens para investimentos na área. Dizer, afirmar e reafirmar que esporte também é cultura está certo mas, não se pode deixar de lembrar que in medio virtus a polarização de investimentos apenas em uma única área não é conveniente.

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Assim por exemplo, as dificuldades enfrentadas pelos escritores iniciantes na busca de uma editora que os publique e os torne conhecidos, diminuiriam bastante se houvesse uma política específica para os emergentes. Não queremos dizer que aqueles que já estão consagrados — ou quase — não mereçam atenção ou não necessitem mais de aplicações financeiras. Tão somente estamos defendendo a ideia de que, aqueles que ainda não foram bafejados pela fama, necessitam muito mais.

Pode-se contra-argumentar que esse tipo de política facilitaria o surgimento de uma má literatura ou mesmo de uma falsa cultura. De fato, há muito trash cultural… Porém, no meio de uma porção de obras que jamais poderiam ser classificadas de obras literárias, sempre surge uma muito boa e, consequentemente, um ótimo autor. É o caso, por exemplo, de Ryoki Inoue. Escritor recordista no Guinness Book com mais de mil livros publicados, o homem já escreveu de tudo, desde de livros sobre a primeira e segunda guerra mundial, histórias de faroeste, espionagem, policiais, até romances e biografias. Apesar de ter sido considerado o “Pelé da Literatura”, ou mesmo o “Ayrton Senna dos Teclados”, Ryoki teve que se libertar dos editores para viver da escrita no Brasil.

Viver de literatura, portanto, não é uma tarefa muito simples, ainda mais tendo em vista a crise econômica que tem afetado diretamente o bolso dos brasileiros. Já para autores iniciantes, que sempre tiveram de arcar com as despesas de publicação de suas obras, bem mereceriam que uma editora de peso os tivessem visto com olhos um pouco mais voltados para a difusão da Cultura no País e para a ampliação do plantel de bons escritores nacionais.

O argumento da imensa maioria das empresas é que o brasileiro não lê e, por isso, a visibilidade de um patrocínio em literatura é muito pequena se comparada com o resultado de um patrocínio em esportes. Não deixa de ser uma verdade mas, ao mesmo tempo, temos de lembrar que uma das principais razões do baixo índice de leitura no Brasil — note-se que estamos falando do brasileiro que é alfabetizado, portanto apelar para os altos índices de analfabetismo no País não vale agora — é justamente o preço excessivamente alto praticado com os livros. E isso se deve a um círculo vicioso: pouca gente lê, portanto as tiragens são reduzidas e isso faz com que o custo unitário de um livro seja alto, o que leva a menos gente ler…

escrever-maquinaQuebrar esse círculo vicioso é, sem dúvida o desafio maior que temos de enfrentar. E um caminho para a vitória seria fomentar os investimentos privados em Cultura através de leis de incentivo menos complexas e mais práticas. Por outro lado, iniciativas de empreendedores podem contribuir com novos talentos da literatura, a partir de uma nova safra de editores engajados em atribuir investimentos em tecnologia, conhecimento e publicação de conteúdo. É o caso da Web Startup, uma agência e editora moderna, voltada para livros digitais e biografias empresariais. E também o Toca Livros, que tem apostado nos audiolivros para incentivar a cultura e o conhecimento de uma forma fácil e rápida. Afinal, em tempos de incertezas econômicas, no mercado editorial, o que vale é a inovação e a criatividade.

CC BY 4.0 Memória ameaçada by Jornalismo Colaborativo is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Sobre o Autor

Jornalismo Colaborativo

Principal site de Jornalismo Colaborativo, destaque no Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXIII / Prêmio Expocom 2016 e referência em startups de jornalismo na 300ª edição da Revista Imprensa em 2014.

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