Billings completa 101 anos sob alerta ambiental e ação de limpeza no Grande ABC

Publicação Publicado em 22 de março de 2026 às 3:26 pm Atualizado em 23 de março de 2026 às 1:43 am Por Rafael Gasques

Educação e Cultura, Jornalismo Ambiental, Jornalismo Colaborativo, Saúde Pública

Leitura

Ação recolhe resíduos das margens do maior reservatório da região metropolitana de SP e alerta para riscos ambientais e sanitários

No mesmo dia em que o mundo celebra o Dia Mundial da Água, voluntários se reuniram neste sábado (22) às margens da Represa Billings para a 13ª edição do mutirão “Represa Limpa, Dever de Todos”. A data é ainda mais simbólica este ano: no próximo dia 27 de março, o maior reservatório da Região Metropolitana de São Paulo completa 101 anos de existência.

O mutirão deste sábado, realizado no bairro Royal Park, na área do Bar do Carequinha, é uma parceria entre a organização socioambiental Ecolmeia e o grupo Determinados SBC, com apoio do Rotary Club de São Bernardo Novo Horizonte. Ao longo do dia, voluntários percorreram trilhas e margens recolhendo garrafas, latas, plásticos e entulhos descartados irregularmente.

“A ideia é sair da teoria, colocar a mão na massa e ser mais prático, dando bons exemplos”, afirmou Elaine Santos, da Ecolmeia.

Lixo nas margens: ameaça à água e à saúde

O descarte irregular de resíduos nas margens da represa representa uma dupla ameaça: compromete a qualidade da água e potencializa a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. O descarte incorreto de garrafas, pneus ou qualquer objeto que possa acumular água cria ambientes propícios para a reprodução do mosquito , segundo o Governo do Estado de São Paulo. A fêmea do inseto pode depositar mais de 100 ovos em um único local.

Não por acaso, a dengue é sazonal, com elevação de casos e risco de epidemias entre outubro e maio, exatamente o período de maior volume de chuvas e, portanto, de maior acúmulo de água em resíduos abandonados a céu aberto.

Retirar o lixo das margens da Billings, portanto, não é apenas um gesto de preservação ambiental. É também uma medida direta de saúde pública.

Para os organizadores, cuidar da Billings é garantir o futuro hídrico de toda a região. Em um momento em que o reservatório se torna peça-chave no plano de segurança hídrica do Estado de São Paulo, a mensagem do mutirão ecoa além das margens da represa: a preservação dos recursos hídricos começa com atitudes cotidianas e com a consciência de que, sem água, não há cidade, economia nem vida.

Confira a série completa de reportagens do Mês da Água: