Nota do Editor
- Esta publicação aproxima técnica e experiência humana sem prometer atalhos. Ao dar lugar à palavra, revela que conflito é linguagem em trabalho. Entre presença e limite, a psicanálise aparece como ética do cuidado no cotidiano.
Terapia de casal e família com análise do que sustenta os vínculos
Saúde mental, família e escuta clínica: o que muda quando a palavra encontra lugar
São José dos Campos, SP | Do Editor
A saúde mental ocupa as manchetes, mas a experiência de quem sofre segue ocorrendo em voz baixa. Entre respostas instantâneas e diagnósticos de prateleira, crescem a sobrecarga e a sensação de desencontro nas relações. Nessa encruzilhada a clínica psicanalítica aplicada aos vínculos ganha valor porque não apressa a dor nem a transforma em rótulo.
Em consultório, o que parecia ruído passa a ter gramática. “Quando o paciente suporta dizer e ser escutado, o sintoma deixa de comandar a cena e vira material de trabalho”, explica a psicóloga clínica Daniela Castro Vitoretti com atuação há mais de 25 anos e formação em psicanálise pela Universidade Salesiana de São Paulo e membro de estudos permanetes do Corpo Freudiano, Núcleo Barra Mansa com especialização em Psicoterapia Psicanalítica de Casal e Família pelo Sedes Sapientiae.
O mapa clínico por trás das repetições
A leitura psicanalítica do sofrimento não trata o sintoma como defeito a ser eliminado. A tradição iniciada por Sigmund Freud o compreende como formação de compromisso entre desejo e proibição. No cotidiano familiar essa lógica se torna visível. Discussões crônicas trocam de assunto e repetem a mesma estrutura. Ciúmes sem objeto claro apontam para dificuldades em simbolizar a falta. “No casal, a repetição não copia o passado. Ela o reinscreve, na tentativa de resolver o que não pôde ser elaborado”, afirma Daniela.
Quando o sujeito suporta dizer, o ruído se organiza em sentido. O trabalho clínico abandona atalhos e lê o que retorna como pedido de palavra. A passagem da culpa para a responsabilidade produz deslocamentos discretos e decisivos. O conflito não desaparece, mas já não comanda sozinho a cena. O par pode divergir sem se destruir. A família encontra um ritmo que acolhe diferenças e repara feridas possíveis.
Transferência e linguagem no cotidiano
A clínica opera no aqui e agora. O vínculo terapêutico atualiza modos antigos de amar, cobrar e evitar. Essa atualização, chamada de transferência, permite observar padrões enquanto acontecem. “A sessão vira laboratório vivo. Pedi ao terapeuta o que só meu pai poderia ter autorizado. Cobrei do parceiro o que eu devia ao meu próprio limite”, relata uma paciente sob anonimato. Reconhecer essa circulação amplia a margem de resposta. “A pessoa passa da culpa repetitiva à responsabilidade possível. Responsabilizar-se não é punir-se. É ampliar a margem de resposta”, diz a psicóloga.
A linguagem organiza lugares e papéis. Etiquetas como o forte, a equilibrada e o difícil parecem descrever, mas convocam atuações que prendem destinos. O ganho clínico surge quando o você que acusa dá lugar ao eu que pede. Converter segredo em narrativa não é exibir intimidade. É oferecer palavras ao que já pesava no corpo. Quando a dor vira discurso, entra no tempo da fala e se torna transformável.
Vínculos, corpo e ética do cuidado
A psicanálise se orienta por funções e não por formatos familiares. Saúde psíquica depende da circulação de palavra, da presença do limite e da possibilidade de reparação. Sem lugar o laço cola. Com lugar demais o laço se rompe. Entre esses extremos, a clínica recoloca termos e devolve autoria. A lógica obsessiva costuma travar encontros. O cuidado vira cálculo. O amor pede recibo. Nomear a posição abre brecha. A presença deixa de ser medida por prova e volta a ser gesto vivo.
O corpo participa da conversa. Enxaquecas, gastrites e fadiga podem atuar como avisos quando faltam palavras. Não se trata de culpar quem sofre. Trata-se de devolver autoria na rotina. Dizer não. Partilhar o cuidado. Proteger tempos de descanso. Pequenos pactos sustentam o laço. A ética que autoriza a prática pede formação continuada, supervisão e trabalho em rede. Psicologia, medicina, psiquiatria e escola compõem o cuidado quando casos exigem parceria.
Caminhos para habitar o laço com dignidade
Talvez a pergunta não seja como acabar com o conflito, mas como sustentar uma palavra que o torne habitável. Quando a fala encontra lugar, a mesma briga já não pede a mesma coreografia. Cada um pode reconhecer sua parte sem se reduzir a ela. O vínculo deixa de ser prisão e volta a ser encontro em movimento. Nesse espaço entre dizer e escutar, o presente ganha espessura e convida a inventar uma forma mais justa de estar com o outro.
Nem todo sofrimento pede urgência, mas toda dor pede tradução. A clínica psicanalítica oferece um espaço para que a experiência ganhe palavra e gesto possível no cotidiano familiar.
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