Nota do Editor
- Já foi um tempo de quem dissesse que seria impossível replantar uma floresta naquele solo. Isso foi em 1998. Em Aimorés, o Instituto Terra mantém mais de 2 mil hectares protegidos, mais de 3 milhões de árvores plantadas, 235 espécies animais de volta ao habitat e um método que o Brasil ainda não sabe bem como nomear, porque já ultrapassa os limites da nomenclatura comum. Algo como uma experiência continuada de restauração territorial, formação humana e reconstrução ecológica.
A terra que voltou a respirar e reaprendeu a sustentar o futuro
Em Aimorés, no leste de Minas Gerais, o que se vê hoje pede olhar atento e leitura sem pressa. A floresta que voltou a crescer ali tem beleza imediata, mas sua força mais profunda está em outro plano. Ela devolve matéria a uma ideia que o país muitas vezes prefere manter no campo da abstração. A regeneração encontrou corpo em solo, água, duração e enraizamento. Onde antes havia uma fazenda exaurida, consolidou-se, ao longo de quase três décadas, uma experiência que reúne restauração ecossistêmica, recuperação hídrica, qualificação técnica, educação ambiental e reorganização do uso da terra de maneira integrada.
A ampliação recente da área protegida ajuda a medir a grandeza desse percurso. A antiga RPPN Fazenda Bulcão com 709,87 hectares, foi ampliada com a Fazenda Cantinho do Céu, adquirida em 2023, e com as Fazendas Maria Bonita, Vai e Volta e o Sítio Constância, incorporados em 2024, até alcançar 2.346,96 hectares.
Os números realmente impressionam, mas o cenário explica melhor do que qualquer estatística. A recomposição deixou de caber apenas na linguagem do reflorestamento. Passou a operar como reestruturação do espaço com efeitos diretos sobre a cobertura vegetal e as nascentes, além da produção rural e da sustentação da vida em uma região marcada por perdas prolongadas.
O Instituto Terra se firmou como uma iniciativa madura de inclusão social e reconstrução ambiental em uma das áreas mais feridas do país. A bacia do Rio Doce atravessa 853 quilômetros, alcança 230 municípios e abriga cerca de 3,5 milhões de habitantes entre Minas Gerais e Espírito Santo. Nesse conjunto, o trabalho desenvolvido em Aimorés oferece uma forma tangível de reaproximar terra, água, produção e vínculo humano com o lugar. Seu valor está menos na eloquência das palavras e mais na consistência dos processos.
O começo de tudo e o que veio depois
Fundado em 1998 por Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado, depois da decisão de restaurar a antiga fazenda de gado da família, o Relatório de Atividades do Instituto Terra mostra que a RPPN foi concedida de forma inédita a uma área já devastada, sob compromisso de recuperação. Desde o início, tratava-se de uma escolha exigente, moldada por relevo íngreme, temperaturas elevadas, solos empobrecidos e compactados, cursos d’água assoreados e longos períodos de seca em uma região de Mata Atlântica reduzida a uma fração mínima de sua cobertura original.
Há sinais desse trabalho capazes de condensar toda a história. O sagui-da-serra-escuro, espécie criticamente ameaçada de extinção, voltou a ser observado e sua presença diz muito. Uma área que durante anos foi pastagem exaurida alcançou grau de recomposição suficiente para acolher novamente um animal bioindicador, vinculado a um equilíbrio ecológico bastante delicado. Quando uma criatura como essa regressa por conta própria, a mata deixa de ser apenas cena refeita. Ela retoma a capacidade de abrigar relações vivas.
Esse retorno ajuda a nomear o que o Instituto Terra representa hoje. Sua relevância ultrapassa a imagem pública de seus fundadores e o reconhecimento internacional associado ao nome de Sebastião Salgado. O Instituto se firmou como método de reconstituição ambiental que encontrou consistência justamente em um lugar de enorme exigência ecológica. Essa experiência entrou em uma fase de ampliação que expande seu alcance e aprofunda sua maturidade.
1998
2024
O que o tempo organiza na matéria viva
Os dados reunidos ao lado permitem enxergar duas camadas ao mesmo tempo. A primeira é a da longa duração que revela a extensão do trabalho acumulado. A segunda é a do presente em operação que mostra um sistema ainda ativo, produtivo e em expansão. Na frente de recomposição ecológica, o Instituto alcançou um índice raro de produção de mudas, plantio de árvores nativas, coleta de sementes em ampla diversidade botânica e retorno documentado de fauna silvestre. O conjunto ajuda a dimensionar o volume do que foi realizado e a complexidade ecológica que essa trajetória passou a amparar.
Esse quadro ganha ainda mais peso quando se observa a variedade de vidas que voltaram a ocupar a área recuperada. A presença de aves, mamíferos, répteis e anfíbios, inclusive espécies ameaçadas de extinção, indica que a recomposição devolveu abrigo, alimento, circulação e condições de equilíbrio suficientes para reativar relações vivas em um ambiente funcional.
O recorte anual aproxima esse processo do trabalho cotidiano. O viveiro segue operando em alto volume com produção expressiva de mudas nativas, novas frentes de plantio e recolhimento contínuo de sementes. O valor desses dados cresce quando se compreende a cadeia que os sustenta. Uma muda exige coleta, seleção, viveiro, manejo e plantio. Cada espécie mobiliza conhecimento ecológico próprio e o percurso inteiro depende de critério técnico, repetição cuidadosa e tempo de maturação. O que a mata devolve ao ambiente nasce dessa disciplina paciente.
A lógica técnica do Instituto é uma das razões de sua credibilidade. As sementes são obtidas na própria área recomposta e também em fragmentos da região. Essa escolha aumenta a variabilidade genética e fortalece a integridade da recomposição. O viveiro, que vinha aumentando com capacidade de até 500 mil mudas por ano, abastece tanto a área da sede quanto propriedades rurais vinculadas aos programas. O plantio se integra à recuperação de nascentes, à implantação de barraginhas, à conservação de água e solo, à instalação de biodigestores e à transição para sistemas produtivos mais sustentáveis. A muda entra, assim, em um circuito mais amplo. Toca a mata, a nascente, a propriedade rural e as relações vitais de uma região inteira.
Essa base ganhou novo fôlego. Com apoio da Zurich Insurance Group, o Instituto iniciou a construção de um novo viveiro com capacidade projetada de até 2 milhões de mudas por ano e expandiu a área protegida com a aquisição das fazendas Maria Bonita, Vai e Volta e do Sítio Constância. O salto entre 500 mil e 2 milhões de mudas anuais expressa uma transição importante. A operação passa a se preparar para abastecer uma frente muito mais extensa de recuperação ambiental, com densidade suficiente para apoiar processos de outra magnitude.
Há uma sobriedade particular nisso. O país se acostumou a ver a natureza transformada em promessa visual ou em linguagem de ocasião. Em Aimorés, o trabalho aparece como operação permanente. Ele tem cronograma, técnica, infraestrutura, mão de obra, aprendizado acumulado e expansão material. A mata cresce, mas cresce sobre uma base organizada. E é essa base que permite confiar no que ela anuncia.
O que a base hídrica torna possível
Na bacia do Rio Doce, o trabalho do Instituto Terra revela sua face mais nítida quando atravessa a cerca da mata e alcança a vida rural. Nessa frente, o que está em jogo já não é apenas cobertura vegetal, mas a base material que ampara permanência, produção e segurança no campo. Os números ajudam a perceber essa escala: são quase 1.500 famílias beneficiadas, aproximadamente 2.500 nascentes em recuperação, mais de 500 biodigestores implantados e cerca de 700 benfeitorias em água e solo. A média de 0,5 hectare por nascente revela o alcance material dessas ações dentro das propriedades.
Nesse contexto, recuperar água significa recompor infiltração, estabilidade do solo, segurança produtiva e condições de enraizamento para famílias que dependem diretamente da terra. O relatório situa esse esforço em um período marcado por seca severa no Vale do Rio Doce, com efeitos diretos sobre atividades econômicas e comunidades rurais. Reforçar a base hídrica, nesse cenário, amplia a produtividade e resgata a possibilidade de seguir vivendo naquele espaço com maior segurança.
O Programa Olhos D’Água, criado em 2010, foi uma das primeiras expressões sistemáticas dessa compreensão. Em parceria com famílias rurais, o Instituto passou a atuar na recuperação de nascentes e, com o tempo, incorporou tratamento de efluentes, assistência técnica e conservação de água e solo. Em 2023, esse percurso amadureceu no Terra Doce, apresentado como uma resposta sistêmica para a bacia do Rio Doce.
Segundo o material institucional, o Terra Doce articula recuperação hídrica, sistemas produtivos sustentáveis, abertura de mercados, educação ambiental e fortalecimento da produção cultural local. A rede de parceiros citada pelo Instituto inclui KfW, WWF Brasil, Fundação Dom Cabral, CIAAT, Plural Cooperativa, G20 e Zurich. O próprio Juliano Salgado, presidente do Conselho Diretor, descreve o programa como uma proposta sistêmica voltada à reversão de séculos de danos ambientais na região e à transformação de sua base socioeconômica e ambiental.
As metas projetadas até 2027 ajudam a medir a consistência desse horizonte. O Terra Doce prevê 4.200 nascentes em recuperação, mais de 2.000 hectares de Áreas de Preservação Permanente protegidas, 2.000 biodigestores e 3.000 barraginhas, além da expansão de sistemas agroflorestais, pomares agroecológicos e sistemas silvipastoris que integram propositalmente árvores, pastagem e gado para melhorar o conforto térmico dos animais, elevar a qualidade do solo e potencializar o sequestro de carbono.
Essa frente talvez seja uma das mais eloquentes. Mata recomposta comove. Nascente recuperada ampara. Quando a água volta a circular com mais estabilidade, o ambiente readquire algo que ultrapassa a utilidade imediata. Recupera fôlego, capacidade de resposta e margem de permanência. Em um país em que o esgotamento tantas vezes se instalou como hábito, devolver fôlego a um lugar é também devolver sentido à permanência.
Educação: A floresta só permanece onde o conhecimento cria raízes
Há uma intuição poderosa no modo como o Instituto Terra trata a formação. Floresta exige transmissão. O conhecimento necessário para plantar, manejar, proteger e expandir uma mata precisa circular pelo território, enraizar-se em novas gerações e ganhar sustentação humana. Dentro dessa visão, a educação aparece como parte da infraestrutura do projeto.
Os números exibidos no quadro ao lado ajudam a medir essa frente, mas o que eles mostram vai além da escala. O Instituto já alcançou mais de 90 mil pessoas em suas ações de educação ambiental, recebeu aproximadamente 150 mil visitantes e consolidou uma rede formativa que atravessa diferentes idades, repertórios e vínculos com a terra. O valor desse conjunto cresce justamente porque não se limita a um público único. Ele articula infância, juventude, capacitação técnica e circulação social do conhecimento.
O NERE, Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica, existe desde 2005 e ocupa uma posição particularmente estratégica. É um programa de formação pós-técnica, com cerca de 2.000 horas divididas entre teoria e prática, voltado à capacitação de jovens para atuar diretamente no campo ambiental. O curso oferece bolsa, moradia, alimentação, autoescola e aulas de inglês. Essa base reduz barreiras materiais e amplia a presença de estudantes das próprias comunidades do Vale do Rio Doce. Na turma recente, 23 novos agentes em restauração ambiental, vindos de 21 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, reforçaram essa capilaridade territorial.
O Terrinhas trabalha a outra ponta dessa construção. Ao longo do percurso, o programa já alcançou cerca de 1.300 crianças e, no recorte mais recente, reuniu 550 participantes de 18 escolas em cinco municípios, envolvendo também professores e gestores escolares. O Terrinhascast, lançado no mesmo período, levou ao YouTube e ao Spotify conteúdos produzidos pelos próprios participantes. Há uma força simbólica particular nessa escolha. Crianças do Vale do Rio Doce narrando o ambiente em que vivem assumem um lugar ativo na transmissão desse aprendizado.
O Terra Jovens amplia essa linha de sustentação. Embora o grupo atual ainda seja enxuto, o programa cumpre papel estratégico ao trabalhar oficinas temáticas sobre os desafios do presente e o audiovisual como ferramenta de leitura e expressão do lugar. O desenho forma uma cadeia coerente. A criança observa e aprende. O jovem produz linguagem sobre o espaço em que vive. O técnico retorna ao campo com método e prática. O saber ecológico passa, assim, a circular por pessoas, vínculos e ciclos distintos da vida.
Há também uma camada menos visível que merece ser reconhecida com atenção. Áreas exauridas ao longo de décadas costumam produzir uma erosão que vai além da perda de cobertura vegetal. Ela alcança o senso de permanência, a confiança no lugar e a imaginação coletiva do futuro. Os programas educativos do Instituto tocam essa esfera ao criar condições para que crianças, jovens e técnicos construam relação ativa com o território. A formação, nesse sentido, amplia repertório, pertencimento e capacidade de seguir.
Essa talvez seja uma das formas mais profundas de recomposição. O solo se recompõe por ciclos. A água encontra seus caminhos de volta. A mata retoma densidade. E, ao mesmo tempo, a linguagem do lugar volta a ser transmitida. Um projeto dessa natureza ensina que a permanência de uma paisagem também depende da presença de quem sabe nomeá-la, compreendê-la e zelar por ela.
A crise climática confirma a urgência da experiência
O relatório situa o Instituto Terra em uma moldura climática ampla. O documento menciona temperatura global 1,63°C acima da média pré-industrial, enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, a pior seca da história na Amazônia e estiagem extrema no Vale do Rio Doce. Esse enquadramento esclarece o momento atual da instituição. O trabalho realizado ao longo desses anos passa a dialogar de forma direta com as exigências de adaptação climática do presente.
O momento dessa expansão é significativo. O Instituto amplia área de atuação, fortalece viveiro, consolida programas e aprofunda parcerias justamente quando o Brasil e o mundo passam a depender com maior intensidade de metodologias confiáveis de recuperação em grande amplitude. O país acumula compromissos ambientais, pressões produtivas ligadas à conformidade ecológica e necessidade crescente de respostas capazes de unir mata, água e produção.
A Mata Atlântica, bioma em que o Instituto atua, oferece uma medida clara dessa urgência. O material institucional registra 24% de remanescente, com apenas 12,4% de florestas maduras. Restaurar esse bioma em condições de mata seca, relevo íngreme, solo compactado e longos períodos de estiagem, como os de Aimorés, exige um tipo de aprendizado técnico que o Instituto acumulou durante 28 anos. Esse acúmulo constitui um ativo científico e ambiental de grande valor para o país.
A crise climática costuma ser descrita em escala planetária, com números que por vezes parecem distantes do corpo da vida comum. Em Aimorés, ela ganha contorno local. Aparece na estiagem, na pressão sobre a água, nas exigências impostas ao campo e na urgência de restaurar com seriedade. Por isso a experiência do Instituto Terra adquire relevância que ultrapassa sua própria geografia. Ela oferece um modo de responder ao presente sem abrir mão da longa duração.
Governança tratada com seriedade
O amadurecimento do Instituto Terra também aparece na governança. O relatório descreve uma macroestrutura organizacional com instâncias deliberativas, fiscalizadoras, consultivas e executoras claramente definidas. Conselho Diretor, Conselho Fiscal, auditoria independente, Conselho Consultivo e Equipe Executiva compõem um arranjo voltado à transparência, à equidade, à prestação de contas e à responsabilidade.
As demonstrações financeiras contam com o aval da Grant Thornton, que emitiu parecer limpo e sem ressalvas. O balanço aponta um crescimento de 16% nas doações voluntárias em comparação ao exercício anterior. Esse resultado é impulsionado por mais de R$ 4 milhões em contribuições de empresas internacionais e R$ 1,5 milhão de doadores individuais brasileiros, além de parcerias institucionais estratégicas, como a Cooperação Alemã.
O planejamento estratégico descrito no relatório amplia essa percepção. Entre os objetivos aparecem a definição de padrões operacionais para produção de mudas e plantio em larga escala, a consolidação do Instituto como centro de pesquisa aplicada, o desenvolvimento de redes de apoiadores ativos e articulados e a ampliação de frentes permanentes de cooperação.
Também entram nesse horizonte a criação de um selo voltado a produtos sustentáveis, a venda de créditos de carbono certificados e a ampliação de parcerias com instituições de ensino técnico e superior. A organização projeta, assim, um horizonte de longo prazo ancorado em gestão e estudos científicos aplicados.
Há aí uma dimensão ética discreta. Cuidar de uma floresta exige cuidar também das bases que tornam esse trabalho possível. Governança, auditoria, planejamento e prestação de contas podem parecer termos frios à primeira vista. Em iniciativas como esta, funcionam como raízes institucionais. São eles que dão estabilidade ao que, sem organização, permaneceria dependente de carisma, improviso ou ocasião.
O que Aimorés oferece ao Brasil
Existe uma lição poderosa em tudo o que o Instituto Terra acumulou. A regeneração em grande dimensão exige visão, método, permanência, relação com o território e respeito ao tempo ecológico. Aimorés oferece uma demonstração nítida disso. A mata voltou, a água encontrou novos caminhos, famílias receberam apoio, jovens foram formados, crianças entraram no circuito vivo da educação ambiental e a base institucional ganhou robustez suficiente para amparar expansão.
Essa experiência interessa ao Brasil porque reúne força simbólica e consistência operacional. Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado deram origem a uma iniciativa de grande densidade ética e histórica. Essa origem amadureceu em uma instituição capaz de formar pessoas, recuperar nascentes, expandir sua atuação, fortalecer governança e consolidar um método ambiental de recomposição.
O sagui-da-serra-escuro voltou porque a mata voltou a oferecer abrigo, alimento, água e equilíbrio ecológico. Esse retorno carrega uma síntese importante. Quando um ecossistema recupera autonomia suficiente para acolher novamente a vida que havia se afastado, o processo alcança uma de suas expressões mais honestas. Em Aimorés, isso já aconteceu.
Talvez seja esse o traço mais raro do Instituto Terra. Ele devolve nitidez a uma palavra que o uso excessivo acabou desgastando. Futuro, ali, deixa de soar como abstração promissora. Passa a ter forma de muda, nascente, viveiro, vegetação ciliar, sala de aula, trilha, escuta técnica, atividade rural consciente e paisagem capaz de acolher de novo a vida. Em um país que tantas vezes se habituou à erosão, ver o chão reaprender a ser floresta tem algo de profundamente sóbrio e luminoso. Lembra que a terra guarda memória, responde à atenção humana e ainda oferece, quando levada a sério, uma linguagem de permanência.
Fotos: Sebastião Salgado, Leonardo Merçon, Lucas Barcelos, Jovander Pito, Thiago Amorim, Cássio Vasconcellos e acervo fornecido pelo Instituto Terra.



































