Nota do Editor
- No Mês da Água, o Jornalista Rafael Gasques vem dando consistência à cobertura do tema com uma série de reportagens atentas ao território e à preservação hídrica. Sua participação voluntária no mutirão da Billings reforça, na prática, o compromisso com a pauta e com o interesse público.
Ação recolhe resíduos das margens do maior reservatório da região metropolitana de SP e alerta para riscos ambientais e sanitários
No mesmo dia em que o mundo celebra o Dia Mundial da Água, voluntários se reuniram neste sábado (22) às margens da Represa Billings para a 13ª edição do mutirão “Represa Limpa, Dever de Todos”. A data é ainda mais simbólica este ano: no próximo dia 27 de março, o maior reservatório da Região Metropolitana de São Paulo completa 101 anos de existência.
O mutirão deste sábado, realizado no bairro Royal Park, na área do Bar do Carequinha, é uma parceria entre a organização socioambiental Ecolmeia e o grupo Determinados SBC, com apoio do Rotary Club de São Bernardo Novo Horizonte. Ao longo do dia, voluntários percorreram trilhas e margens recolhendo garrafas, latas, plásticos e entulhos descartados irregularmente.
“A ideia é sair da teoria, colocar a mão na massa e ser mais prático, dando bons exemplos”, afirmou Elaine Santos, da Ecolmeia.
Lixo nas margens: ameaça à água e à saúde
O descarte irregular de resíduos nas margens da represa representa uma dupla ameaça: compromete a qualidade da água e potencializa a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika. O descarte incorreto de garrafas, pneus ou qualquer objeto que possa acumular água cria ambientes propícios para a reprodução do mosquito , segundo o Governo do Estado de São Paulo. A fêmea do inseto pode depositar mais de 100 ovos em um único local.
Não por acaso, a dengue é sazonal, com elevação de casos e risco de epidemias entre outubro e maio, exatamente o período de maior volume de chuvas e, portanto, de maior acúmulo de água em resíduos abandonados a céu aberto.
Retirar o lixo das margens da Billings, portanto, não é apenas um gesto de preservação ambiental. É também uma medida direta de saúde pública.
Para os organizadores, cuidar da Billings é garantir o futuro hídrico de toda a região. Em um momento em que o reservatório se torna peça-chave no plano de segurança hídrica do Estado de São Paulo, a mensagem do mutirão ecoa além das margens da represa: a preservação dos recursos hídricos começa com atitudes cotidianas e com a consciência de que, sem água, não há cidade, economia nem vida.
Confira a série completa de reportagens do Mês da Água:
- Corais ameaçados: a febre do oceano e a morte da cor
- A água redesenha o mapa do poder
- Risco invisível à saúde nos esgotos
- O Drama hídrico nas represas de São Paulo
- Água: Direito Humano, Ativo Financeiro e Infraestrutura de Guerra
- Água sob Ameaça Química
- Plástico na água: o que a ciência já comprovou sobre os microplásticos dentro do seu corpo
- Água contaminada por substâncias que o planeta ainda não consegue eliminar
- A invasão que já corre pelos rios
- Sede Artificial e o Vapor de Dados
- 33 milhões sem água potável em um país de rios gigantes
- Mancha verde se espalha por 105 quilômetros do Rio Tietê
- Billings completa 101 anos sob alerta ambiental e ação de limpeza no Grande ABC




