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O empreendedor joseense que criou as primeiras startups de jornalismo no Vale do Paraíba

São José dos Campos tem um histórico relevante quando o assunto é inovação em comunicação digital. Antes de o debate sobre modelos sustentáveis para o jornalismo independente ganhar a escala que tem hoje, o JC já aparecia no radar como parte de uma experiência que articulava produção editorial, presença digital, visão de mercado e leitura de futuro. Esse percurso ajuda a entender por que o projeto ocupa um lugar importante na memória do jornalismo colaborativo no Vale do Paraíba.

Depois de apresentar um artigo científico no INIC, evento organizado pelo IP&D Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Univap, com o apoio do CNPQ, Fapesp e CAPES, Georges Kirsteller Ryoki Inoue, estudante de jornalismo da FCSAC, decidiu desenvolver sua própria aceleradora WebStartup.

O diferencial da WebStartup é não ficar apenas no mundo das ideias. A proposta é receber a semente do Cliente e logo iniciar a plantação, uma vez que temos terreno fértil e ferramentas necessários para cultivar um projeto de startup. – Georges Kirsteller Ryoki Inoue

Startups e inovação em jornalismo digitalNa prática, o movimento combinava formação acadêmica, experiência de mercado e capacidade de execução. Georges, que já havia trabalhado em agências e jornais de São Paulo e Santa Catarina, começou cedo a transformar ideia em operação. Esse traço ajuda a situar o JC dentro de uma fase em que o jornalismo regional buscava alternativas próprias de linguagem, distribuição e monetização.

Entre 2000 e 2004, ele venceu o iBest. Em 2010, voltou para São José dos Campos, sua terra natal, após o adoecimento do pai, e criou o selo editorial Ryoki Produções, produtora que fundou e que publicou mais de 500 livros, com destaque na Bienal do Livro em São José dos Campos. Em 2012, foi responsável pelo marketing da Rede Alumni com os sites Quero Bolsa e Quero Estágio.

Esse histórico amplia a compreensão sobre a origem de projetos que, naquela etapa, já testavam formatos, nichos e rotas de sustentabilidade. No caso do JC, o valor histórico está justamente em ter participado cedo de um ambiente em que jornalismo, tecnologia, cultura digital e estratégia editorial começavam a se reorganizar fora dos modelos tradicionais.

Em maio de 2014, a Revista Imprensa fez referência ao projeto de Jornalismo Colaborativo em sua edição comemorativa de número 300. O registro é importante porque situa o JC dentro de uma leitura nacional sobre inovação, empreendedorismo e transformação do fazer jornalístico.

Revista Imprensa edição 300VEIA EMPREENDEDORA

O estudante de jornalismo da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Comunicação (FCSAC), do Vale do Paraíba, Georges Kirsteller Ryoki Inoue, analisa o mercado desde 2010. Decidiu, em 2012, desenvolver sua própria incubadora, a WebStartup. Para não perder dinheiro e manter as iniciativas, aproveitou as ocorrências de resultados no Google e ofereceu serviços e publicidade. “Dessa forma, consigo experimentar diferentes nichos. É assim com o Temporada de Inverno, uma revista digital sobre moda, turismo e esportes radicais. Ou ainda, as publicações eletrônicas como o Vale Jornal, Vale Shimbun e Vale Publicar que também se tornaram plataformas sustentáveis de um projeto em early stage sobre jornalismo colaborativo”, completa. A WebStartup já conta com mais de vinte projetos, e, no momento, Georges estuda algumas propostas. “Apesar de contar com colaboradores especializados em diversas formações, incluindo pesquisadores, jornalistas, historiadores, sociólogos e filósofos, o mercado regional ainda mostra certa resistência com este modelo, já que falta mão de obra qualificada para vender publicidade e serviços editoriais”, diz Inoue.

Fonte do trecho: Revista Imprensa.

À época, aos 33 anos, Georges afirmava manter projetos culturais à espera do momento certo de lançamento e se mostrava aberto a propostas de parceria e investimentos em early-stage. O dado, hoje, ganha outra camada de leitura: ele ajuda a reconstruir uma etapa em que São José dos Campos já abrigava experiências pioneiras de empreendedorismo em mídia e plataformas editoriais independentes.

Ao revisitar esse percurso, o JC reafirma sua autoridade documental sobre um capítulo importante da comunicação regional. Não se trata apenas de memória. Trata-se de registrar, com contexto, um período em que o jornalismo local começou a experimentar com antecedência caminhos que depois se tornariam centrais no debate nacional: audiência orgânica, monetização digital, produção em rede, segmentação de nicho e construção de autoridade fora dos grandes centros.

Esse histórico dá lastro ao JC em São José dos Campos. E mostra que, quando o assunto é pioneirismo em jornalismo colaborativo, inovação editorial e empreendedorismo digital no Vale do Paraíba, a cidade já tinha experiência concreta sendo construída em tempo real.

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Rede de comunicação e plataforma editorial dedicada ao jornalismo colaborativo e à produção de informação baseada em evidências, conectando jornalistas, pesquisadores e cidadãos na construção de reportagens documentais voltadas à compreensão pública. Reconhecido pelo Prêmio Expocom da Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (2016), foi citado pela Revista Imprensa como referência em startups de jornalismo e integra projeto cultural aprovado pelo Ministério da Cultura do Brasil. A iniciativa também dialoga com redes internacionais como o CJS e o Center for Cooperative Media.

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